O recente debate político evidenciou uma mudança notável na abordagem do candidato do Missão à Presidência, Renan Santos. Anteriormente percebido em discussões mais sóbrias, ele adotou uma postura marcadamente provocativa, utilizando elementos visuais e retórica incisiva. Essa estratégia, que gerou repercussão imediata, levanta questões sobre a eficácia da “lacração” e do conteúdo viral como ferramentas centrais na corrida eleitoral contemporânea, especialmente em um cenário dominado pelas redes sociais.
A Estratégia Digital de Campanha de Renan Santos e a “Lacração”
Durante o debate da Band, a escolha de Renan Santos por uma gravata laranja vibrante já sinalizava uma intenção de destaque. No entanto, o ponto alto de sua performance foi a exibição de fraldas com os nomes “Flávio” e “Lula”, destinadas a representar os adversários ausentes, Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, um cartaz com a palavra “ladrão” foi exibido no púlpito vazio de Lula.
Essa tática, vista como uma forma de “lacração”, parece ter sido cuidadosamente planejada para a produção de cortes e vídeos curtos, ideais para plataformas como o TikTok. A ausência dos principais concorrentes permitiu a Renan Santos um palco para suas provocações sem o risco de uma resposta direta, maximizando o potencial de viralização de seu conteúdo. A estratégia visa alimentar o fluxo de produção digital, onde a polêmica e a crítica tendem a ganhar maior alcance.
Engajamento Online vs. Votos nas Urnas
Apesar do sucesso em gerar conteúdo digital, a tradução desse engajamento em votos ainda é um ponto de debate. Tiago Falqueiro, diretor de Estratégia do DSC Lab, aponta Renan Santos como o candidato mais adaptado ao fluxo de produção de conteúdo digital, destacando sua habilidade em criar material que viraliza e, consequentemente, aumenta seu alcance nas plataformas. O Índice Brasil de Performance Digital (iBR) corrobora essa análise, colocando Renan com o segundo melhor desempenho digital.
Contudo, essa performance digital não se reflete diretamente nas pesquisas de intenção de voto, onde Renan Santos tem oscilado entre 4% e 5% nos cenários de primeiro turno. Falqueiro observa que, em outros tempos, um candidato com seu perfil teria um desempenho nulo, considerando seu relativo desconhecimento prévio. Ele avalia que, nesse contexto, a estratégia já pode ser considerada um sucesso, superando nomes mais estabelecidos como Ronaldo Caiado e Romeu Zema em termos de visibilidade.
O Impacto das Redes Sociais no Cenário Eleitoral
A crença de Renan Santos e de alguns analistas é que seu desempenho digital crescerá e se refletirá mais concretamente no mundo real à medida que as eleições se aproximam. No entanto, Falqueiro ressalta uma diferença fundamental: o ambiente da internet é “mais estimulado” do que o das pesquisas, com públicos mais propensos ao engajamento e à resposta a provocações. Essas métricas são cruciais para o iBR, mas não necessariamente para as urnas.
O caso do senador Cleitinho, que lidera a corrida eleitoral em Minas Gerais com mais de sete milhões de seguidores, apesar de um histórico legislativo menos ativo, serve como um contraponto. Sua popularidade digital sugere que, em certos contextos, o alcance nas redes sociais pode, sim, ser um fator decisivo. No entanto, outros analistas questionam se o peso do desempenho digital não estaria sendo superestimado, especialmente em disputas polarizadas, onde o impacto de outros candidatos pode ser amortecido. A “mágica conhecida” das redes sociais pode não ter a mesma força de antes, levando a uma busca por novas abordagens na comunicação de campanha. Para mais informações sobre o cenário político, clique aqui.
Fonte: blogdomagno.com.br