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Iraque busca desarmar milícias e recolher milhões de armas em meio a tensões com grupos pró-Irã

Iraque busca desarmar milícias e recolher milhões de armas em meio a tensões com grupos pró-Irã
AP Photo

O governo iraquiano deu início a um ambicioso plano para recolher cerca de seis milhões de armas que se encontram fora do controlo das instituições oficiais. A iniciativa, considerada crucial para a estabilidade e soberania do país, enfrenta a resistência de poderosas milícias alinhadas ao Irã, que se recusam a entregar o que classificam como “armas de resistência”.

Apesar de um prazo inicial rigoroso, Bagdá redefiniu a abordagem, optando por um processo de negociação em vez de confrontos militares diretos. Este esforço sublinha a complexa dinâmica de segurança no Iraque, onde a presença de grupos armados não estatais representa um desafio persistente à autoridade central.

Bagdá redefine prazo e adota abordagem negociada para o desarmamento

Inicialmente, 30 de setembro havia sido estabelecido como um prazo final para que as fações armadas entregassem seus arsenais, coincidindo com a retirada definitiva das forças da coligação liderada pelos Estados Unidos. Contudo, o vice-ministro do Interior, Hussein al-Awadi, esclareceu que esta data passou a ser o ponto de partida para um processo regulatório, e não um limite intransponível.

Uma comissão de quatro membros, incluindo o primeiro-ministro Ali al-Zaidi, está a desenvolver um mecanismo revisado para conduzir este processo. Al-Awadi destacou que o foco do governo mudou do combate ao terrorismo para a luta contra o crime organizado, com a transferência gradual dos dossiões de segurança para as províncias nos próximos meses.

Oposição de milícias pró-Irã desafia controle estatal de armamentos

A campanha de desarmamento é conduzida primordialmente através de negociações, uma estratégia que o primeiro-ministro al-Zaidi reiterou em agosto, afirmando que seu governo não pretende usar meios militares contra as fações. Ele enfatizou que a retirada das tropas norte-americanas eliminaria qualquer “justificação ou necessidade de resistência no Iraque”, rejeitando a ideia de “um Estado dentro do Estado”.

No entanto, grupos como Kataib Hezbollah e Harakat al-Nujaba, conhecidos por seu alinhamento radical com Teerão e por ataques anteriores contra forças dos EUA, recusaram-se a entregar suas armas. Em contraste, outras milícias como Saraya al-Salam, Asaib Ahl al-Haq e Kataib Imam Ali demonstraram abertura, chegando a entendimentos com o governo para entregar armamentos ou regularizar seu estatuto.

Pressão internacional e o papel dos Estados Unidos na campanha

A iniciativa de Bagdá ocorre sob forte pressão dos Estados Unidos. Washington solicitou ao governo iraquiano, em junho, um calendário claro para a colocação de armas sob controlo estatal. A administração norte-americana vinculou o cumprimento desse plano ao acesso do Iraque a fluxos de dólares essenciais para a sua economia, evidenciando a dimensão internacional do problema.

As fações armadas em questão são predominantemente milícias xiitas, formadas sob orientação iraniana e que operam com o apoio de Teerão. Elas estão vagamente agrupadas nas Forças de Mobilização Popular (PMF), uma organização-chapéu criada em 2014 após o apelo do aiatola Ali al-Sistani para combater o autoproclamado grupo Estado Islâmico.

O contexto das Forças de Mobilização Popular e a integração de grupos

Embora algumas fações dentro das PMF tenham sido formalmente integradas na estrutura de segurança estatal do Iraque, outras mantiveram cadeias de comando independentes. Estes grupos continuam a receber armas, financiamento e orientação da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC), criando uma dualidade de poder que o governo iraquiano busca resolver.

Um exemplo de integração bem-sucedida é a Saraya al-Salam, que se separou formalmente do movimento do clérigo Muqtada al-Sadr e foi incorporada às forças de segurança iraquianas em uma cerimónia em Samarra, em junho. A limitação das armas ao controlo estatal é um compromisso central do programa de governo de Ali al-Zaidi, que assumiu o cargo de primeiro-ministro em 14 de maio como um candidato de compromisso após meses de impasse político.

Para mais informações sobre a situação no Iraque, visite Euronews.

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