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MPRJ acusa parlamentares de desviar verbas de alimentação hospitalar

© Fernando Frazão/Agência Brasil
© Fernando Frazão/Agência Brasil

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) formalizou uma denúncia à Justiça contra dois parlamentares do União Brasil e mais oito indivíduos, acusados de crimes como organização criminosa, fraude em licitações, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. As investigações apontam para um complexo esquema de desvio de recursos públicos, focado em contratos de fornecimento de alimentação para hospitais e outras instituições municipais.

A ação penal detalha a existência de uma estrutura dedicada a direcionar licitações e desviar verbas por meio de empresas supostamente controladas de forma oculta. Embora o esquema envolva a negociação de dezenas de contratos que somam mais de R$ 350 milhões, a denúncia atual concentra-se em três acordos específicos, buscando a responsabilização dos envolvidos e o ressarcimento dos danos causados aos cofres públicos.

A Operação e as Acusações de Desvio

Em uma operação recente, agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público cumpriram mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal de Justiça. As ações ocorreram em diversos locais, incluindo a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a Câmara Municipal de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, e em endereços residenciais dos denunciados.

Durante as buscas, foram apreendidas quantias significativas em dinheiro. Na residência do deputado estadual Rafael Nobre, foram encontrados R$ 21 mil em espécie. Já na casa do vereador Júlio Ricardo dos Santos Henrique, conhecido como Magrão Nobre, a apreensão totalizou R$ 45 mil, também em dinheiro vivo. Esses valores são parte das evidências coletadas na investigação que culminou na denúncia.

Esquema de Fraude em Licitações e Lavagem de Dinheiro

A denúncia do MPRJ descreve um modus operandi sofisticado, onde os parlamentares teriam desempenhado um papel central na negociação de contratos públicos. O objetivo seria direcionar o fornecimento de alimentação para hospitais, escolas e outros órgãos municipais a empresas que estariam sob controle oculto dos envolvidos, garantindo o desvio de verbas. O valor total dos contratos negociados, que ultrapassa R$ 350 milhões, sublinha a escala do alegado esquema.

Os crimes imputados – organização criminosa, fraude em licitações, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro – refletem a complexidade e a gravidade do esquema. A falsidade ideológica, por exemplo, pode estar relacionada à criação de empresas de fachada ou à manipulação de documentos para simular a legalidade dos processos licitatórios, enquanto a lavagem de dinheiro visaria ocultar a origem ilícita dos recursos desviados.

Posicionamento dos Envolvidos e Próximos Passos

Diante da repercussão da denúncia, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) emitiu uma nota informando que está acompanhando a operação e se coloca à disposição para colaborar integralmente com as investigações. A transparência e a cooperação são destacadas como essenciais para o esclarecimento dos fatos.

A defesa do deputado estadual Rafael Nobre declarou que as medidas cumpridas são de natureza exclusivamente investigatória e que não há qualquer vínculo que relacione o parlamentar aos fatos apurados. Por outro lado, a defesa do vereador Magrão Nobre, procurada pela reportagem, ainda não se manifestou sobre as acusações.

O Ministério Público, além de buscar a condenação dos dez denunciados, requer o ressarcimento integral dos danos causados aos cofres públicos, visando a recuperação dos valores desviados. Este processo judicial representa um esforço contínuo para combater a corrupção e garantir a probidade na administração pública. Para mais informações sobre as ações do Ministério Público, visite o site oficial: MPRJ.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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