A paisagem política da América Latina tem passado por uma notável transformação, com a ascensão de governos de direita consolidando uma nova correlação de forças na região. Vitórias recentes em eleições presidenciais, como as do Peru e da Colômbia, reforçam essa guinada conservadora, que agora se reflete em sete dos 12 países sul-americanos sendo governados por líderes alinhados a essa ideologia.
Este movimento regional ganha especial relevância no ano de eleições no Brasil, o maior país da América Latina, levantando debates sobre o potencial impacto de uma “onda azul” local nas urnas brasileiras. A dinâmica atual sugere um cenário político significativamente diferente daquele encontrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua vitória eleitoral anterior.
A consolidação da direita no cenário sul-americano
O avanço de governos de direita na América Latina tem se intensificado progressivamente. Desde as eleições de Rodrigo Paz na Bolívia e de José Antônio Kast no Chile, ambos em outubro e dezembro de 2025, respectivamente, a tendência conservadora ganhou força. A esses líderes, somaram-se os presidentes da Argentina, Javier Milei; do Paraguai, Santiago Peña; e do Equador, Daniel Noboa, todos de inclinação direitista.
Recentemente, a vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia e a vantagem inatingível de Keiko Fujimori no Peru consolidaram ainda mais essa tendência. Em contraste, a esquerda mantém o comando no Brasil, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Uruguai, com Yamandú Orsi, na Guiana, com Irfaan Ali, no Suriname, com Jennifer Simons, e na Venezuela, com Delcy Rodríguez.
O olhar de Donald Trump e o contexto eleitoral brasileiro
A atenção internacional sobre o cenário político latino-americano foi amplificada por um artigo publicado na emissora conservadora Newsmax e compartilhado por Donald Trump em uma rede social. O texto descreve as próximas eleições presidenciais no Brasil como um “grande teste” para o “ressurgimento conservador” em toda a América Latina.
O documento sugere que a onda de presidentes alinhados a Trump teve início na América Central em 2019, com a eleição de Nayib Bukele em El Salvador, e tem se intensificado desde então. A ação de Trump ocorre após um encontro com Lula na cúpula do G7 na França, onde, apesar de posarem juntos para a foto oficial, a interação entre os chefes de estado foi mínima, sem cumprimentos formais.
Desafios e estratégias para a disputa presidencial no Brasil
Neste contexto de avanço conservador regional, o presidente Lula (PT) enfrentará nas urnas líderes de direita como o senador Flávio Bolsonaro (PL), o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o empresário Renan Santos (Missão). O cenário é notavelmente diferente daquele de 2022, quando a maioria dos líderes regionais eram aliados ideológicos do PT.
A oposição no Brasil aposta em discursos focados na segurança pública e em críticas à condução da política econômica do governo Lula para angariar votos. Por outro lado, o Planalto busca recuperar popularidade com ações estratégicas nessas mesmas áreas. O movimento de ascensão da direita, que recuperou espaço após a “nova onda rosa” de governos de esquerda no início dos anos 2000, marca uma mudança significativa.
Análises sobre o fenômeno conservador e influências externas
O professor e colunista da Folha de Pernambuco, Luiz Otávio Cavalcanti, aponta que a onda de direita não se restringe à América Latina, sendo um fenômeno global. Ele atribui essa ascensão a duas razões principais: a frustração social com índices como inflação, desemprego e violência, e a identificação das pessoas com o discurso da extrema-direita que aborda esses temas.
A cientista política Clarisse Gurgel ressalta o poder de influência do Brasil na América Latina, destacando sua posição central como o maior e mais rico país da região. Essa centralidade atrai a atenção de potências como os Estados Unidos, cuja influência pode se manifestar de formas “muito mais invisíveis do que visíveis”, gerando instabilidade.
Cavalcanti ainda pondera que Trump, com seu “projeto de poder global” de natureza “destrutiva”, buscará interferir nas eleições brasileiras, seja de forma direta, como ao receber o senador Flávio Bolsonaro na Casa Branca, ou indireta, através de medidas que possam dificultar a economia brasileira, sinalizando que acordos passados podem não se manter no futuro. Para mais informações sobre política internacional, consulte fontes confiáveis.
Fonte: blogdomagno.com.br