Contradições sobre a produção executiva
O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro atuou como produtor-executivo do filme biográfico Dark Horse, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Registros obtidos com exclusividade pelo Intercept Brasil, incluindo um contrato assinado digitalmente em 30 de janeiro de 2024, contradizem declarações recentes do parlamentar. Em publicações nas redes sociais, ele afirmou ter apenas cedido seus direitos de imagem, negando qualquer função de gestão ou responsabilidade sobre o orçamento da obra.
O contrato de produção, datado de novembro de 2023, estabelece que a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, seria a produtora oficial. O documento nomeia Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias como produtores-executivos. Essa função confere poder direto sobre a estratégia de financiamento, o controle de gastos e a captação de recursos, incluindo a identificação de incentivos fiscais e patrocínios.
Articulação financeira e mensagens trocadas
Trocas de mensagens entre o empresário Thiago Miranda e o banqueiro Daniel Vorcaro, datadas de março de 2025, evidenciam a participação ativa de Eduardo Bolsonaro na logística financeira do projeto. Em um dos diálogos, o deputado discute a necessidade de direcionar recursos para os Estados Unidos, sugerindo que o envio de valores a partir de empresas brasileiras poderia ser problemático devido a prazos de remessa.
A estratégia de financiamento, conforme os documentos, previa a oferta de 40 cotas de 500 mil dólares, totalizando 20 milhões de dólares. O orçamento total da produção é estimado entre 23 milhões e 26 milhões de dólares, montante que supera o custo de diversas produções de Hollywood. A Polícia Federal investiga se parte dos valores negociados pelo senador Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro teria sido utilizada para custear despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro no exterior.
Conexões com fundos e investigações
O material analisado indica que parte do capital negociado foi transferida para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas. Este fundo é controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro, incluindo o advogado Paulo Calixto, responsável pelo processo imigratório do deputado. Documentos societários apontam que o escritório de Paulo Calixto atua como agente legal do fundo, levantando questionamentos sobre a transparência da operação.
Além das questões financeiras, a produtora GoUp Entertainment e seus sócios, Karina Ferreira da Gama e Michael Brian Davis, enfrentam escrutínio público. O Instituto Conhecer Brasil, ligado a Karina Gama, é alvo de investigações do Ministério Público devido a um contrato de 108 milhões de reais com a Prefeitura de São Paulo. Paralelamente, o STF busca intimar Mario Frias para prestar esclarecimentos sobre o destino de emendas parlamentares destinadas à mesma organização.
Fonte: blogdomagno.com.br