A estiagem prolongada tem gerado impactos severos na rotina dos moradores da Reserva Extrativista Verde Para Sempre, localizada no município de Porto de Moz, no oeste do Pará. A redução drástica no nível dos rios e igarapés, que servem como as principais vias de locomoção na região, tem dificultado o tráfego de embarcações e isolado famílias que dependem exclusivamente do transporte fluvial para acessar serviços básicos.
Desafios logísticos e isolamento na região amazônica
O transporte por água é o pilar da mobilidade na Resex Verde Para Sempre, uma unidade de conservação que abrange mais de 1,2 milhão de hectares e ocupa cerca de 70% do território de Porto de Moz. Com o recuo das águas, trajetos que antes eram percorridos com facilidade tornaram-se intransitáveis, impedindo o deslocamento de moradores para a zona urbana.
A situação é particularmente crítica para idosos e pessoas que necessitam de atendimento médico regular. Além da dificuldade de circulação, a escassez hídrica compromete o acesso a itens essenciais, como água potável e alimentos, agravando a vulnerabilidade social das famílias que residem no interior da reserva administrada pelo ICMBio.
Resposta do poder público diante da crise hídrica
Diante do cenário de seca, a Defesa Civil de Porto de Moz iniciou um levantamento detalhado dos danos causados pela estiagem e pelas queimadas. O objetivo é subsidiar a decretação de situação de emergência, medida necessária para viabilizar recursos e ações de assistência às comunidades afetadas.
Lineu Franco, chefe da Defesa Civil municipal, confirmou que o plano de contingência já está em fase de elaboração. As secretarias municipais trabalham na produção de relatórios técnicos que deverão ser encaminhados ao Executivo local para formalizar a resposta oficial à crise, buscando mitigar os efeitos da estiagem na vida dos ribeirinhos.
Impactos cumulativos e necessidade de suporte
A combinação entre a falta de chuvas e a incidência de queimadas cria um cenário de incertezas para os moradores. A dependência do transporte fluvial torna a logística de socorro um desafio adicional para os órgãos públicos, que precisam encontrar alternativas para garantir o abastecimento e a assistência médica em áreas de difícil acesso.
A comunidade aguarda medidas concretas que possam aliviar os transtornos causados pela seca. A expectativa é que, com a possível decretação de emergência, seja possível mobilizar equipes e recursos para atender às demandas urgentes de uma população que vê sua principal via de conexão com o mundo exterior desaparecer sob o leito seco dos rios.
Fonte: avozdoxingu.com.br