A 12ª edição do Festival Safra da Castanha Nova teve início neste domingo (17), na Aldeia Kupekate Kyikatêjê, situada na Terra Indígena Mãe Maria, em Bom Jesus do Tocantins. O evento consolidou-se como um ponto de encontro fundamental para a integração entre diversas etnias, reunindo representantes da maioria das 50 aldeias do território para uma semana de celebração cultural, esportiva e intercâmbio com a sociedade não indígena.
Resgate da memória e espiritualidade no Festival Safra da Castanha Nova
A cerimônia de abertura foi marcada por um profundo momento de reverência aos ancestrais. A comunidade Gavião dedicou parte da programação para homenagear as famílias que sofreram perdas de entes queridos no último ano, utilizando cantos tradicionais e rituais de grafismo para manter viva a memória dos que partiram. A organização do evento ressaltou que a homenagem reafirma a continuidade cultural do povo, transformando a ausência física em presença espiritual através da coletividade.
Integração e resistência entre povos indígenas
O festival transcendeu as fronteiras locais ao receber delegações de diversas regiões do país. Estiveram presentes representantes dos povos Terena, Anambé, Gavião do Maranhão, Assurini do Trokara, Xerente, Canela, Suruí Aikewara e Apinajé. Essa convergência de identidades fortalece a resistência dos povos originários e reafirma a conexão intrínseca entre as comunidades e a preservação da floresta.
Programação esportiva e cultural
Ao longo da semana, o evento promove uma extensa agenda de atividades que equilibram tradição e competição. As manhãs são reservadas para torneios de futebol, natação, canoagem e provas de arco e flecha. Já as tardes focam em competições de força e resistência, como a tradicional corrida de tora, corrida de varinha, corrida de bastão e cabo de guerra, com categorias masculinas e femininas.
Celebrações e intercâmbio com a comunidade
As noites do festival são dedicadas a apresentações musicais e culturais. A programação inclui shows da Banda Caferana, do cantor gospel Nani Azevedo e exibições de quadrilhas juninas convidadas. O evento, que pode ser acompanhado por mais detalhes no portal Correio de Carajás, reforça o papel da colheita da castanha como um marco de união, onde a cultura indígena é compartilhada com centenas de visitantes, promovendo o diálogo intercultural e o fortalecimento das novas gerações.
Fonte: correiodecarajas.com.br