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Mutum rejeitada pela mãe completa um ano no Mangal das Garças: vitória da conservação

TE PARÁ POLÍTICA SAÚDE SEGURANÇA MUNDO Procurar sexta-feira, junho 26, 2026 Desd
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O Parque Zoobotânico Mangal das Garças, em Belém, celebra um marco significativo na conservação da fauna brasileira: o primeiro aniversário de uma mutum-de-penacho (Crax fasciolata) que superou um início de vida desafiador. Rejeitada pela mãe logo após o nascimento, a jovem ave, pertencente a uma espécie ameaçada de extinção, foi salva graças a uma intervenção humana criativa e à companhia inesperada de um pintinho de galinha. Sua história não é apenas um testemunho de resiliência, mas também um símbolo poderoso do sucesso dos programas de conservação.

Hoje, a mutum-de-penacho exibe porte adulto e comportamento saudável, representando uma vitória para a ciência e a dedicação incansável dos profissionais que atuam nos bastidores do parque. Este sucesso reforça a importância de estratégias inovadoras para a proteção de espécies vulneráveis, oferecendo esperança para o futuro da biodiversidade na região.

Uma vitória da vida e da conservação em Belém

O nascimento desta fêmea de mutum-de-penacho foi um evento raro e histórico para o Mangal das Garças, sendo o primeiro registro da espécie no parque e um dos poucos documentados em toda a região Norte do Brasil. A mutum-de-penacho enfrenta sérias ameaças em seu habitat natural, principalmente devido à caça ilegal e à destruição de seu ambiente.

Nesse contexto, cada novo indivíduo nascido em cativeiro é de valor inestimável para os esforços de conservação. O biólogo do Parque, Basílio Guerreiro, enfatiza a relevância do feito: “Ver essa fêmea completar um ano, saudável e plenamente desenvolvida, demonstra que todo o trabalho realizado pela equipe alcançou resultados muito positivos e contribui diretamente para a preservação da espécie”.

A amizade inusitada que salvou a jovem mutum

Diante da rejeição materna, a equipe multidisciplinar do Mangal das Garças assumiu a responsabilidade integral pela criação do filhote. Inicialmente, foram empregadas diversas técnicas para mitigar o isolamento, como o uso de espelhos, estímulos visuais e até fantoches. Contudo, a solução mais eficaz e surpreendente foi a introdução de um pintinho de galinha no recinto da jovem mutum.

A convivência com o pintinho nos primeiros meses de vida foi um divisor de águas. Essa amizade improvável ajudou a mutum a desenvolver confiança, estimulando sua alimentação e níveis de atividade, cruciais para seu crescimento saudável. A técnica ambiental do Mangal e especialista em aves, Beatriz Tavares, esclarece a base científica por trás dessa interação:

“Embora o pintinho pertença a uma espécie diferente, ele faz parte da mesma ordem taxonômica dos mutuns-de-penacho, os Galliformes. Por compartilharem esse grupo evolutivo, apresentam comportamentos semelhantes, como o forrageio no solo em busca de alimento e estratégias de cuidado parental, o que facilitou a interação e o aprendizado da mutum”.

Com o tempo e o desenvolvimento natural, a mutum ganhou autonomia e foi transferida para um recinto mais adequado ao seu porte adulto, demonstrando a transição bem-sucedida para uma vida independente.

Dedicação e ciência nos bastidores do parque

O sucesso no desenvolvimento desta fêmea de mutum-de-penacho é fruto do trabalho árduo e coordenado de uma equipe dedicada. Diariamente, biólogos, tratadores e veterinários, como Hugo Silva, Deise Cardoso e João Fonseca, além dos técnicos ambientais Beatriz Tavares e Rafael Azevedo, unem seus conhecimentos para garantir o bem-estar e a saúde dos animais.

Este esforço contínuo não apenas assegura a sobrevivência de indivíduos como a jovem mutum, mas também pavimenta o caminho para o futuro da espécie. A equipe técnica do Mangal das Garças nutre a expectativa de expandir o programa reprodutivo com a futura chegada de um novo macho. Essa iniciativa visa fortalecer a diversidade genética e, consequentemente, as chances de conservação da espécie a longo prazo, contribuindo para a missão de instituições como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Conheça a mutum-de-penacho no Mangal das Garças

O público tem a oportunidade de ver de perto a mutum-de-penacho e outros animais no viveiro provisório das aves, localizado no Parque Zoobotânico Mangal das Garças. O parque, administrado pela Organização Social Pará 2000, em parceria com a Setur e o Governo do Pará, é um importante centro de lazer e educação ambiental na capital paraense.

  • Onde: Parque Zoobotânico Mangal das Garças.
  • Funcionamento: Terça a domingo, das 8h às 18h (fechado às segundas-feiras para manutenção).

A entrada no parque é gratuita, permitindo que visitantes de todas as idades desfrutem de suas belezas naturais e conheçam de perto os esforços de conservação. Para acesso a espaços monitorados específicos, como o Borboletário e o Memorial da Navegação, há cobrança de ingressos no valor de R$ 9 (inteira) e R$ 4,50 (meia).

Fonte: aprovinciadopara.com.br

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