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Flávio Bolsonaro cita Lula por engano após reunião com Donald Trump na Casa Branca

RJ) durante coletiva  (SERGIO LIMA/AFP
RJ) durante coletiva  (SERGIO LIMA/AFP

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), protagonizou um momento de confusão diplomática durante uma entrevista coletiva concedida nesta terça-feira, 26, em Washington. Logo após deixar um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, o parlamentar brasileiro cometeu uma gafe ao atribuir o convite para a viagem ao seu principal adversário político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O episódio ocorreu enquanto o senador detalhava os bastidores da reunião para os jornalistas presentes na capital norte-americana. Ao tentar descrever a recepção, Flávio afirmou que o convite oficial teria partido de Lula, corrigindo-se rapidamente após um breve silêncio. O parlamentar justificou o equívoco e reiterou que estava acompanhado por assessores de Trump durante a agenda, que não constava nos registros oficiais da presidência dos Estados Unidos.

Lapso de memória durante coletiva em Washington

A declaração que gerou repercussão imediata foi registrada em vídeo. O senador dizia: “Mais uma vez, foi um convite oficial do presidente Lula, ele tava ali com dois assessores dele… do presidente Trump, desculpa, o presidente Trump estava com dois assessores dele”. A correção veio segundos depois, mas o deslize verbal marcou o encerramento de sua passagem pela sede do governo americano.

De acordo com informações da campanha do senador, a viagem foi articulada pelo deputado cassado Eduardo Bolsonaro. O convite formal teria sido encaminhado pelo secretário de Estado, Marco Rubio. O encontro é visto pela equipe do parlamentar como um movimento estratégico para fortalecer sua imagem internacional, especialmente em um período de pré-campanha presidencial no Brasil.

Pedido de classificação de facções como terroristas

Para além do erro verbal, a pauta central da reunião entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump focou na segurança pública brasileira. O senador afirmou ter solicitado formalmente ao líder americano que as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como grupos terroristas pelos Estados Unidos.

Flávio utilizou o espaço para criticar a postura do atual governo brasileiro sobre o tema. Segundo o senador, enquanto o governo federal busca diálogo, sua proposta é de endurecimento internacional contra as facções. Ele defendeu que tal medida facilitaria acordos de cooperação com países da América Latina, Europa e Israel para combater o crime organizado que, segundo seus dados, domina áreas onde reside um em cada quatro brasileiros.

Contexto político e busca por agenda positiva

A visita aos Estados Unidos ocorre em um momento em que o senador busca desviar o foco de controvérsias recentes no Brasil. Recentemente, foram revelados áudios que indicam uma relação de proximidade entre o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro, envolvendo pedidos de recursos para a produção de uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A tentativa de estabelecer uma agenda positiva em Washington enfrentou obstáculos logísticos. A equipe de Flávio tentou agendar a coletiva de imprensa nas dependências da Embaixada do Brasil, mas não obteve autorização ou resposta do órgão diplomático. O fato gerou reclamações formais por parte dos assessores da campanha, que classificaram a atitude como um cerceamento.

Divergências estratégicas entre governo e oposição

A estratégia de Flávio Bolsonaro contrasta com a agenda cumprida pelo presidente Lula no início deste mês, quando também se reuniu com Trump. Na ocasião, o atual chefe do Executivo brasileiro propôs a criação de um grupo de trabalho global para o combate ao crime organizado, mas sem focar especificamente na designação de terrorismo para as facções domésticas.

O governo americano analisa há mais de um ano a possibilidade de incluir grupos brasileiros em listas de terrorismo, seguindo o precedente aberto com cartéis mexicanos e o grupo venezuelano Tren de Aragua. Mais detalhes sobre a atuação parlamentar do senador podem ser consultados no portal oficial do Senado Federal, onde constam seus registros de atividades legislativas e missões oficiais.

Fonte: veja.abril.com.br

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