Flávio Bolsonaro busca reverter tarifas em Washington
O candidato à presidência pelo Partido Liberal, Flávio Bolsonaro, anunciou nesta terça-feira (23/6) uma viagem a Washington com o objetivo de interceder junto ao governo de Donald Trump. A intenção declarada é evitar que o mercado norte-americano se torne ainda mais restritivo para as indústrias brasileiras, em um momento em que novas sobretaxas estão sob análise da agência de defesa comercial dos Estados Unidos (USTR).
A estratégia do parlamentar envolve participar da audiência pública agendada para o dia 6 de julho. Em discurso realizado em Presidente Prudente, no estado de São Paulo, ele afirmou que pretende atuar na defesa das empresas nacionais para evitar um incremento tarifário que, segundo estimativas, pode alcançar 37%. O movimento é visto como uma tentativa de obter um trunfo eleitoral diante do cenário de protecionismo comercial.
Contradição entre o passado e o presente
A postura atual de Flávio Bolsonaro contrasta com seu posicionamento de um ano atrás. Em julho de 2024, quando o governo de Donald Trump impôs uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, o parlamentar utilizou suas redes sociais para celebrar a medida. Na ocasião, ele agradeceu ao ex-presidente americano e utilizou o slogan “Faça o Brasil livre de novo”, alinhando-se à ofensiva econômica externa.
Analistas apontam que a taxação aplicada no ano anterior possuía um caráter político explícito, visando pressionar o cenário interno brasileiro durante o julgamento de Jair Bolsonaro por crimes contra a Constituição. Naquele momento, o apoio de Flávio Bolsonaro às sanções foi interpretado como uma estratégia de oposição, enquanto agora, como candidato à presidência, a prioridade declarada é a proteção do setor produtivo.
Impactos da audiência na USTR
A audiência pública da USTR, marcada para o início de julho, é o palco onde o candidato pretende formalizar sua defesa. O processo administrativo, que deve ser concluído na segunda quinzena do mesmo mês, culminará em uma decisão final que caberá a Donald Trump. A mudança de tom do candidato do PL, que passou de entusiasta das tarifas a defensor da indústria nacional, reflete a proximidade do pleito eleitoral.
Faltando três meses para as eleições, a movimentação é observada com cautela pelo mercado e pelos setores industriais. A tentativa de reverter o protecionismo americano em um fórum técnico estrangeiro é considerada um movimento insólito, dado o histórico recente de celebração das mesmas medidas que agora ele busca mitigar. Para mais detalhes sobre as relações comerciais, consulte o portal Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Fonte: veja.abril.com.br