A administração municipal de Marabá, sob o comando de Toni Cunha, encontra-se no centro de um intenso debate político e administrativo após a divulgação de dados sobre a execução orçamentária de 2025. Uma análise técnica comparativa, baseada em documentos oficiais, aponta que a atual gestão deixou de investir cerca de R$ 310 milhões que estavam previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA), gerando questionamentos sobre a eficiência e o planejamento das políticas públicas implementadas no primeiro ano de governo.
marabá: cenário e impactos
O orçamento total para o exercício de 2025 foi fixado em R$ 1.958.145.569,36. No entanto, a execução revelou um cenário de descontinuidade em setores vitais, com o contingenciamento concentrado em áreas de infraestrutura, saneamento e assistência social. Enquanto setores como Educação e Encargos Gerais registraram aumento de gastos, a redução drástica em pastas estratégicas tem provocado reações severas no Legislativo municipal.
Impacto do contingenciamento na infraestrutura e saneamento
O setor de infraestrutura foi um dos mais afetados pela política de contenção de despesas da prefeitura. A Secretaria Municipal de Viação e Obras, essencial para a manutenção da malha viária e equipamentos urbanos, sofreu uma redução orçamentária de 56,72% em comparação ao ano anterior, caindo de R$ 269,5 milhões para R$ 116,6 milhões. Em relação ao que havia sido planejado na LOA 2025, o montante não investido alcançou R$ 110,5 milhões.
A Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) também enfrentou um corte expressivo de 60,01%, enquanto o Saneamento Ambiental viu seus recursos encolherem 24,21%. A falta de investimentos nestas áreas impacta diretamente a qualidade de vida da população, com reflexos imediatos na manutenção de vias e na prestação de serviços básicos de saúde pública e saneamento.
Desarticulação administrativa e o colapso na agricultura
A Secretaria Municipal de Agricultura (Seagri) tornou-se o símbolo da desarticulação administrativa da gestão. Com um orçamento previsto de R$ 25 milhões para 2025, a pasta executou apenas R$ 2 milhões, o que representa uma execução de irrisórios 8%. O impacto desse sucateamento foi detalhado pelo vereador Marcos Paulo (PDT), que apontou a inoperância de grande parte da frota de tratores e a paralisação de programas de perfuração de poços artesianos na zona rural.
Além disso, o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FMDCA) sofreu uma redução drástica de 97,78% em sua execução real. O cenário reflete uma mudança de prioridades que, segundo críticos, negligencia áreas fundamentais para o desenvolvimento produtivo e a proteção social, enquanto os gastos com encargos administrativos cresceram 43,99%.
Críticas do Legislativo e o paradoxo da saúde
O presidente da Câmara Municipal de Marabá, Ilker Moraes, utilizou a tribuna para classificar a gestão como ineficiente. Durante sua fala, o parlamentar destacou que a prefeitura teria omitido comparativos essenciais na prestação de contas do último quadrimestre, dificultando a transparência sobre o destino dos recursos. Segundo Moraes, a economia de recursos, quando resulta na interrupção de serviços públicos, deve ser interpretada como falta de gestão.
A Saúde apresenta um cenário paradoxal: embora o Fundo Municipal de Saúde tenha recebido um aporte de R$ 391,6 milhões — um aumento de R$ 22,9 milhões em relação a 2024 — a percepção da população permanece negativa. Relatos de falta de medicamentos e precariedade no atendimento hospitalar sugerem que o aumento do volume financeiro não se traduziu em melhoria na eficiência administrativa, conforme aponta a fonte oficial.
Fonte: correiodecarajas.com.br