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Governo federal avalia manter subsídios aos combustíveis diante da crise no Oriente Médio

Foto: Divulgação/MME
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O governo federal caminha para suspender o cronograma de retirada das subvenções aos combustíveis, medida que deveria atingir a gasolina nesta semana. A decisão, apurada por fontes ligadas à equipe econômica, é uma resposta direta à escalada da instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que impacta diretamente a cotação internacional do petróleo.

A retomada das hostilidades envolvendo Estados Unidos e Irã elevou a tensão global, provocando um salto de 5,2% no preço do barril tipo Brent, que atingiu a marca de US$ 78. Diante desse cenário, o Executivo adota uma postura de cautela, mantendo o pacote de auxílio a produtores e importadores, além de preservar a cobrança do imposto sobre a exportação de petróleo bruto, atualmente fixado em 12%.

Contexto de volatilidade e manutenção das subvenções

A estratégia atual, discutida intensamente entre os ministérios da Fazenda e da Casa Civil, é descrita como uma pausa para reavaliação. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem defendido o gradualismo na retirada dos benefícios, visando proteger o consumidor final de oscilações bruscas nos preços das bombas e garantir a estabilidade do abastecimento nacional.

Mesmo com a pressão por ajustes fiscais, o governo descarta, neste momento, impulsionar a tramitação do PLP 114/2026. A proposta, que visava reduzir tributos federais, perdeu força devido à inclusão de emendas do setor agropecuário, que elevaram o risco fiscal da medida a níveis considerados inaceitáveis pela equipe econômica.

Impacto nas operações da Petrobras e distribuidoras

A Petrobras, responsável pela maior fatia do mercado doméstico, mantém reuniões semanais com o governo para monitorar o cenário. As subvenções vigentes — que chegam a R$ 0,80 por litro para o diesel nacional e R$ 1,12 para o importado — são apontadas como fundamentais para sustentar as margens de refino e viabilizar a importação de derivados, garantindo que o mercado interno não sofra desabastecimento.

Grandes distribuidoras, como Vibra, Ipiranga e Raízen, também operam sob esse regime de acompanhamento rigoroso. Executivos do setor alertam que, embora o governo precise identificar uma tendência clara de mercado, o tempo é exíguo. A MP 1.349, que sustenta parte desses subsídios, perde validade em meados de agosto, exigindo sinalizações rápidas sobre a continuidade ou interrupção do programa.

Pressão sobre a oferta global de derivados

Especialistas apontam que a restrição de oferta internacional complica ainda mais a equação. A Rússia, por exemplo, suspendeu temporariamente suas exportações de diesel e gasolina para priorizar o consumo interno, agravando a escassez global. Esse movimento, somado aos ataques a parques de refino, encurta a disponibilidade de produtos que antes compensavam a produção obstruída pelo conflito no Oriente Médio.

Adriano Pires, sócio-fundador do CBIE, observa que a volatilidade do barril torna qualquer previsão de curto prazo arriscada. Para o especialista, a dependência logística do estreito de Ormuz, por onde transita uma parcela significativa da oferta global de energia, mantém o mercado refém de rumores e negociações diplomáticas incertas, o que justifica a manutenção dos mecanismos de proteção de preços pelo governo brasileiro.

Fonte: agenciainfra.com

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