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Espanha em alerta máximo por incêndios florestais que desalojam 63 mil pessoas

Espanha em alerta máximo por incêndios florestais que desalojam 63 mil pessoas
Reprodução Euronews

A Espanha enfrenta uma das piores temporadas de incêndios florestais de sua história recente, com mais de 63 mil pessoas desalojadas nas regiões de Madrid e Ávila. A gravidade da situação levou o governo espanhol a declarar, pela primeira vez em democracia, a emergência de interesse nacional, conhecida como situação operativa 3, para coordenar todos os recursos disponíveis no combate às chamas.

Esta medida sem precedentes reflete a escala e a complexidade dos focos ativos, que têm desafiado a capacidade de resposta local. A decisão foi tomada após a Comunidade de Madrid admitir que estava “fora da capacidade de extinção” em diversas frentes, com a situação descrita como “muito complicada” pelas autoridades.

Declaração de Emergência Nacional e Resposta Coordenada

A declaração de emergência de interesse nacional, uma figura legal até então utilizada apenas em um apagão geral, transfere a coordenação de todos os meios estatais, autonômicos e locais para o Governo central. O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, enfatizou a necessidade de uma resposta unificada diante da crise.

Em resposta ao pedido de ajuda espanhol, Bruxelas ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil. Dois aviões Canadair da Grécia e outros dois da Itália foram enviados para se juntar aos dispositivos de combate, que também contam com reforços de diversas comunidades autônomas espanholas.

Focos Críticos em Madrid: Evacuações e Desafios Operacionais

Na Comunidade de Madrid, os incêndios de Villa del Prado e San Martín de Valdeiglesias, embora avançando em direções diferentes, permanecem muito próximos e causaram extensas evacuações. O fogo de San Martín teve início com um veículo em chamas na M-501, enquanto o de Villa del Prado começou na própria localidade.

As chamas forçaram a evacuação completa de diversas áreas, incluindo o parque de campismo de El Escorial, que sozinho levou à retirada de cerca de 5.000 pessoas. Além disso, moradores de Villa del Prado foram confinados. O número total de evacuados na região de Madrid atingiu 63.000 pessoas.

A infraestrutura também foi severamente afetada, com as estradas M-501 e M-507 cortadas e uma falha nas telecomunicações que deixou dezesseis municípios sem cobertura. Essa interrupção dificultou a coordenação das equipes de emergência e o contato dos moradores com suas famílias. O objetivo principal agora é evitar que as chamas atinjam as localidades de El Escorial e San Lorenzo de El Escorial.

A Situação em Ávila e as Investigações em Curso

Na província de Ávila, o incêndio de Burgohondo-Navaluenga é o foco de maior preocupação, tendo avançado rapidamente e queimado mais de 9.000 hectares, com um perímetro que ultrapassa os 70 quilômetros. As evacuações incluíram Burgohondo, Villanueva de Ávila, Hoyo de Pinares, parte de Cebreros, o parque de campismo de El Burguillo e diversas casas rurais na Reserva Natural do Vale de Iruelas.

As localidades de Navaluenga e El Tiemblo permanecem confinadas. Um dos momentos mais críticos foi o transporte noturno dos residentes do lar de idosos San Antonio, em El Tiemblo, que foram evacuados para Cebreros.

A Guardia Civil deteve uma pessoa e mantém outra sob investigação como presumíveis responsáveis por um dos focos. Segundo as autoridades, a utilização de maquinaria pesada em uma zona proibida teria gerado a faísca inicial, configurando o crime de incêndio florestal com o agravante de ter afetado áreas próximas a núcleos habitacionais.

Panorama Nacional: Outros Incêndios e Áreas Estabilizadas

O cenário de incêndios na Espanha não se restringe a Madrid e Ávila. Em León, o fogo de Murias de Ponjos obrigou a evacuar cerca de 40 moradores. Em Huelva, Villanueva de las Cruces foi totalmente evacuada devido ao incêndio de El Cerro del Andévalo, que já ultrapassa os 1.200 hectares. Em Teruel, o fogo de Ejulve foi reativado, com novas evacuações em aldeias dependentes de Castellote. Em Córdoba, o Infoca combate outra frente em Cerro Muriano, atento para que não se aproxime de uma zona militar.

No entanto, há sinais de melhora em outras regiões. O incêndio de Almorox, em Toledo, está em fase de estabilização, permitindo o regresso progressivo de alguns moradores, apesar de ter destruído 43 habitações e danificado 286 em Villa del Prado. O fogo de La Mierla, em Guadalajara, considerado o segundo mais grave do século na Espanha com 35.000 hectares devastados, também melhora, permitindo a recuperação de catorze municípios. O incêndio de Fuente Álamo, em Múrcia, estabilizou-se, e o de Brieva, em Segóvia, já está em nível 0 de risco. Estima-se que cerca de 148.000 hectares foram queimados em toda a Espanha desde o início do ano.

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