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Infraestrutura deficiente freia avanço da inteligência artificial em startups brasileiras

Infraestrutura deficiente freia avanço da inteligência artificial em startups brasileiras
Domínio público

Uma pesquisa recente da Axia Energia revela um cenário desafiador para o ecossistema de inovação no Brasil. O estudo aponta que uma parcela significativa das startups nacionais, precisamente 35,6% das 90 empresas pesquisadas, já enfrentou impedimentos em seus projetos de inteligência artificial (IA) devido a restrições de infraestrutura de processamento. Esse gargalo impacta diretamente a capacidade de atendimento a clientes e a escalabilidade de soluções baseadas em IA, evidenciando uma barreira substancial para o crescimento e a competitividade dessas empresas no mercado.

Com a crescente adoção da inteligência artificial em aplicações de produção, fatores como capacidade computacional, custos operacionais, segurança de dados e governança tornaram-se elementos cruciais. A pesquisa sublinha que a ausência de uma infraestrutura robusta e adequada não apenas limita o desenvolvimento tecnológico, mas também compromete a expansão e a sustentabilidade das startups que dependem intensamente da IA para suas operações.

Desafios de capacidade e segurança no cenário da IA

A necessidade de um ambiente operacional seguro e em conformidade com os requisitos de compliance é uma prioridade para a maioria das startups. O levantamento indica que 61,1% das empresas consideram esses aspectos como recursos primordiais para a implementação e operação de soluções de inteligência artificial no país. A segurança cibernética, por exemplo, torna-se um pilar fundamental para a proteção de algoritmos e informações sensíveis, enquanto a governança de dados garante a integridade e o uso ético da tecnologia, fatores críticos para a confiança do cliente e a sustentabilidade do negócio.

Além da segurança, a demanda por hardware especializado é um ponto crítico. Um terço dos entrevistados (34,4%) destacou a importância das GPUs (Unidades de Processamento Gráfico) para suas operações. Outros 25,6% apontaram a necessidade de soluções de armazenamento de alta performance, enquanto 21,1% especificaram a carência de GPUs dedicadas à inferência, um componente vital para a execução eficiente de modelos de IA em tempo real.

Infraestrutura de hardware: a demanda crescente para impulsionar a IA

As projeções indicam que a demanda por infraestrutura computacional deve se intensificar nos próximos meses. De acordo com o estudo, 75,6% das startups esperam ampliar significativamente o uso de recursos de infraestrutura nos próximos 12 meses. Dentre elas, 30% preveem que sua demanda poderá dobrar, enquanto 31,1% projetam um crescimento ainda maior, entre duas e cinco vezes. Uma parcela considerável, 14,4%, estima uma expansão superior a cinco vezes, refletindo a rápida evolução e a crescente dependência da inteligência artificial.

O uso intensivo de IA já é uma realidade para 80% das empresas participantes da pesquisa. A inferência em produção, que consiste na aplicação de modelos de IA para tomar decisões ou gerar resultados em tempo real, é a utilização mais citada, mencionada por 56,6% das startups. Esse cenário reforça a urgência em resolver os gargalos de infraestrutura para que as empresas possam capitalizar plenamente o potencial da inteligência artificial.

Expansão projetada e a relevância da soberania de dados

A localização física dos dados também emerge como um fator de grande relevância estratégica. Para 61,1% das startups, manter o processamento ou o armazenamento de dados dentro do território brasileiro é, no mínimo, uma condição preferencial. Dentro desse grupo, 35,6% afirmaram que essa exigência é obrigatória para uma parte ou a maior parte de suas operações, indicando preocupações com soberania de dados, regulamentação e latência.

Juliano Dantas, vice-presidente de Tecnologia e Inovação da Axia, enfatiza que o avanço da inteligência artificial transcende a mera capacidade computacional. Ele destaca a necessidade de uma articulação complexa e integrada entre diversos elementos, incluindo energia, data centers, conectividade de alta velocidade, processamento eficiente, segurança robusta, capital de investimento e modelos comerciais inovadores. Essa visão holística é fundamental para construir um ecossistema de IA verdadeiramente resiliente e capaz de sustentar o crescimento das startups brasileiras.

Fonte: agenciainfra.com

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