Investigação aponta possível interferência em operações policiais
O deputado estadual Roosevelt Barreto Barcelos, conhecido como Val Ceasa (PRD), tornou-se o centro de uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). A operação apura o suposto envolvimento de agentes públicos com o Terceiro Comando Puro (TCP), uma das facções criminosas mais influentes do estado. Além do parlamentar, os alvos incluem o ex-vereador Ulisses Marins, atualmente servidor municipal, e um ex-assessor parlamentar.
A ação, que mobilizou o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão, atingiu locais estratégicos, incluindo o gabinete do deputado na Assembleia Legislativa (Alerj). As diligências foram autorizadas pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e executadas pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ em conjunto com a Polícia Civil.
Suposta influência para proteger interesses do crime organizado
Segundo as apurações do Ministério Público, os investigados teriam buscado contatos na Polícia Militar para obter detalhes sobre uma operação sigilosa. O objetivo seria impedir a demolição de imóveis ligados ao TCP em Parada de Lucas, área que integra o chamado Complexo de Israel, na Zona Norte da capital fluminense. Entre as estruturas ameaçadas pela ação policial estava um complexo de lazer de luxo, atribuído ao chefe da facção, Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão.
Os investigadores detalharam que o trio teria tentado utilizar sua influência política para justificar a permanência das construções. O argumento apresentado era de que os locais seriam destinados a serviços sociais para a comunidade. No entanto, a tese foi prontamente descartada pelo órgão ministerial, que identificou a tentativa de obstrução como uma manobra para preservar ativos do grupo criminoso. Como resultado dessa interferência, a operação policial original precisou ser adiada.
Contexto de combate à criminalidade no Rio de Janeiro
A ofensiva contra o grupo político ocorre em um momento de intensificação das ações contra o crime organizado no estado. Recentemente, a Polícia Civil deflagrou uma operação interestadual focada em desarticular núcleos do Terceiro Comando Puro no Complexo de São Carlos, na Região Central do Rio. As autoridades apontam que a facção atua de forma estruturada na lavagem de dinheiro, extorsão de moradores e comerciantes, além do controle ilegal de armamentos.
As diligências desta fase da investigação não se limitaram à capital fluminense, estendendo-se também a endereços no estado do Espírito Santo. O caso segue sob a responsabilidade da Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que busca esclarecer a extensão da rede de apoio aos criminosos dentro do setor público. A continuidade das investigações deve revelar se outros agentes foram cooptados pela facção.
Fonte: veja.abril.com.br