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O luto e a fé: como a devoção a Maria ampara uma mãe na perda do filho

O luto e a fé: como a devoção a Maria ampara uma mãe na perda do filho
Reprodução / correiodecarajas.com.br

A pedagoga e empresária Ysnaira Gomes da Silva Lustosa, de 43 anos, encontrou um refúgio inesperado em sua fé para enfrentar a dor avassaladora da perda de seu filho, Saymon, aos 17 anos. Em um momento de busca por um documento pessoal, uma fotografia antiga do rapaz, presente de Dia das Mães, reavivou memórias e aprofundou sua conexão com a Virgem Maria, a quem atribui um papel fundamental em seu processo de luto.

A coincidência do reencontro da imagem com a fórmula de sua consagração a Nossa Senhora, realizada em 2023, foi interpretada por Ysnaira como um sinal de acolhimento e cuidado divino. A devoção, que já era parte de sua vida, ganhou um novo e profundo significado após a tragédia que vitimou Saymon em setembro de 2026, enquanto ele organizava um acampamento da igreja.

A jornada de fé e o aprofundamento da devoção

A relação de Ysnaira com Nossa Senhora remonta à sua infância, quando estudou em uma escola de freiras e cultivou os primeiros laços com a fé católica. Embora a devoção tenha tido altos e baixos ao longo dos anos, um ponto de virada ocorreu em 2011, após participar de um ‘Encontro de Casais com Cristo’ em Marabá. Naquela época, ela adquiriu sua primeira imagem de Nossa Senhora de Fátima e começou a rezar o terço, embora ainda sem constância.

A pandemia de covid-19, em 2020, marcou um período de intensa transformação espiritual para Ysnaira. Com a família em casa, o terço e as missas pela televisão se tornaram rotina, e ela sentiu um forte desejo de estreitar sua relação com Maria. Dedicou-se ao estudo dos mistérios do rosário e passou a rezar diariamente, buscando uma conexão cada vez mais profunda com a Virgem.

A fé compartilhada e o legado de Saymon

A devoção de Ysnaira não se restringiu ao ambiente doméstico. Em 2022, ela propôs à comunidade de Santa Clara, onde reside, que as famílias se reunissem para rezar o terço durante o mês de maio, dedicado a Maria. A iniciativa foi calorosamente acolhida e se tornou uma tradição anual, permitindo que Ysnaira compartilhasse sua experiência de fé com outros.

Em casa, ela optou por não impor a devoção aos filhos, mas sim inspirá-los através de seus próprios hábitos, como vestir azul e branco em maio e convidá-los para as orações. Com o tempo, percebeu que Saymon havia desenvolvido seu próprio vínculo com Nossa Senhora. Após um acampamento religioso, ele passou a rezar o terço todos os dias e o carregava consigo, inclusive no dia de sua morte. A fé pode ser um pilar fundamental no processo de luto, oferecendo consolo e perspectiva.

Maria como refúgio na dor do luto

A entrevista para o especial ‘Sob o olhar de mãe’ foi a primeira vez que Ysnaira falou publicamente sobre a morte do filho. Ao receber a notícia do acidente, ela rezou intensamente, nutrindo a esperança de sua recuperação. Contudo, a confirmação da morte transformou o sentido de sua oração, levando-a a buscar consolo na figura de Maria aos pés da cruz, compartilhando a dor da mãe de Jesus.

Em momentos de desespero, Ysnaira se apegava à imagem de Maria, lembrando-se de seu sofrimento e encontrando força para prosseguir. Ela relata que uma pessoa que acompanhava Saymon até o hospital rezou com ele, mencionando Nossa Senhora. Naquele instante, o rapaz abriu os olhos, esboçou um sorriso e deu seus últimos suspiros. Ysnaira acredita que Maria conduziu seu filho até Jesus e continua a ampará-la em seu luto.

Equilíbrio na maternidade após a perda

A morte de Saymon impactou profundamente a dinâmica familiar e a forma como Ysnaira enxerga seu filho mais novo, Sávio, de 12 anos. Ela reconhece o desejo de protegê-lo ainda mais, mas busca um equilíbrio entre o cuidado e a liberdade, sem cair na superproteção ou permissividade. O desafio é acolher Sávio, estabelecendo limites e educando-o com valores como integridade, humildade e amor.

Ysnaira procura aplicar esse aprendizado em sua relação com Sávio, não permitindo que o medo da perda impeça o crescimento do menino. A devoção a Maria serve como inspiração contínua para exercer a maternidade, amando, cuidando e orientando, mas permitindo que os filhos construam seus próprios caminhos. Ela busca manter viva a essência de sua maternidade: acolher, amar e educar, sem superproteger.

Fonte: correiodecarajas.com.br

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