A cidade de Marabá tornou-se o epicentro da cultura afro-brasileira neste fim de semana, entre os dias 26 e 27 de junho. O município sedia o II Intercâmbio Cultural da Associação Brasileira de Arte e Cultura Guerreiros do Quilombo (ABACGQ), um evento que mobiliza mestres, professores e praticantes de diversas regiões do Pará e de outros estados brasileiros.
A programação, que busca valorizar as raízes históricas e a potência transformadora da modalidade, inclui uma série de atividades como cortejos de berimbau, rodas de capoeira, workshops técnicos e cerimônias tradicionais de batizado e troca de graduações. O encontro reforça a importância da preservação das tradições ancestrais em um contexto contemporâneo.
Conexão regional e legado histórico em Marabá
O evento conta com a participação de representantes de municípios como São Geraldo do Araguaia, Canaã dos Carajás, Parauapebas, Tailândia, Jacundá, Redenção e Altamira. A articulação local é liderada por Driele Santos, a graduanda Sinhá, que estima a presença de cerca de 200 pessoas durante as atividades, promovendo um intercâmbio de saberes entre diferentes gerações.
A trajetória da Associação em Marabá remonta ao dia 22 de junho de 1994, consolidando mais de três décadas de atuação na cidade. Sob a liderança do Mestrando Zumbi, o grupo mantém viva a prática da capoeira, que é reconhecida internacionalmente como um dos maiores símbolos da identidade cultural brasileira e um importante vetor de difusão da língua portuguesa.
A capoeira como ferramenta de transformação social
Para o Mestre Cobrinha, referência nacional vindo de Aracaju, a realização deste intercâmbio em Marabá possui um significado profundo. O mestre destaca que a capoeira oferece benefícios físicos, mentais e espirituais, sendo fundamental que o trabalho seja conduzido com seriedade para garantir que as futuras gerações continuem a colher os frutos desse legado de resistência.
Além da dimensão cultural, o projeto atua fortemente na inclusão social de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade nas periferias. O Mestrando Zumbi ressalta que, ao longo de 32 anos de história, a associação tem acompanhado o desenvolvimento de diversos alunos que hoje são pais e profissionais, atestando o impacto positivo da prática na formação de cidadãos.
Protagonismo feminino e perspectivas futuras
A edição deste ano destaca o fortalecimento da presença feminina nas rodas de capoeira. A Mestranda Relva, vinda de Teresina, atua como oficineira e compartilha sua trajetória de 26 anos na modalidade. Para ela, a capoeira funcionou como uma força transformadora, proporcionando disciplina e abrindo caminhos profissionais, além de permitir o desenvolvimento de talentos artísticos como o canto.
O evento reafirma que a capoeira permanece como uma linguagem viva de memória e pertencimento. Ao integrar passado e futuro, o intercâmbio em Marabá demonstra que a prática continua a se reinventar, mantendo sua essência coletiva e seu papel como patrimônio cultural. Mais informações podem ser acompanhadas pelo Correio de Carajás.
Fonte: correiodecarajas.com.br