Aos 76 anos, Dona Terezinha Cândido Araújo personifica a resiliência e o amor incondicional. Matriarca de uma vasta família, ela é mãe de dez filhos, sendo nove que hoje trilham seus próprios caminhos e uma pequena que partiu ainda no ventre. Sua história é um testemunho da força feminina, da dedicação à família e da capacidade de superar desafios em tempos de poucos recursos.
Sua vida foi marcada pela conciliação do trabalho árduo na roça, ao lado do marido, com a educação de uma prole numerosa. Hoje, com a casa mais calma, Dona Terezinha reflete sobre as dores e as delícias da maternidade, um papel que ela abraçou com coragem e devoção, construindo um legado que se estende por gerações.
Uma vida dedicada à família e ao sustento
A rotina de Dona Terezinha e seu marido, carinhosamente chamado de “paizão” e falecido há quatro anos, era de intenso trabalho sob o sol para garantir o sustento da família. Enquanto eles se dedicavam à lavoura, a filha mais velha assumia um papel fundamental na casa, cuidando dos irmãos mais novos.
Com uma mistura de rigidez necessária para manter a ordem e um amor profundo, Dona Terezinha moldou homens e mulheres que hoje são seu maior orgulho. A disciplina e o carinho foram os pilares de uma criação que visava preparar seus filhos para a vida, mesmo diante das adversidades.
A força da maternidade: dez partos e um lar em Marabá
A experiência de Dona Terezinha com a maternidade é um retrato de uma época. Ela relata ter tido sua primeira filha aos 17 anos, em um período em que não existiam os métodos contraceptivos e as facilidades da medicina moderna. Todos os seus dez partos foram normais, sendo nove realizados em casa, com a ajuda de uma parteira.
Somente o último filho nasceu em um hospital, mas também por parto normal. “A dor do parto é grande”, afirma ela, com um sorriso que revela a sabedoria de quem enfrentou o processo natural da vida sem os recursos atuais. Atualmente, a aposentada reside no Núcleo São Félix, em Marabá, e mantém uma renda extra vendendo polpa de cupuaçu e chopp de frutas, ocupando a mente e mantendo-se ativa.
A saudade de uma casa cheia e o elo familiar inabalável
Questionada sobre o que mais sente falta da época em que a casa estava sempre cheia, a emoção toma conta de Dona Terezinha. As lágrimas, que ela tenta em vão conter, revelam a profundidade de sua saudade. “Sinto saudade da noite”, confessa, lembrando-se do ritual de passar em cada cama, agasalhar e dar boa noite a cada um de seus filhos.
Embora o tempo tenha passado e os filhos tenham construído suas próprias vidas, o elo familiar permanece forte. Filhos e netos a visitam com frequência e, em um gesto de carinho e cuidado, organizam um rodízio para que ela nunca durma sozinha. A casa, especialmente em datas comemorativas como seu aniversário, se enche de alegria, com a presença de filhos, netos e bisnetos, um cenário que ela descreve com carinho: “É muita gente, muita comida, muita zoada. Eu gosto”.
Um legado de amor que transcende gerações
A descendência de Dona Terezinha é tão vasta que ela própria perdeu a conta dos netos, mas sabe que possui onze bisnetos. Ela compreende que a vida é um ciclo de chegadas e partidas, e aceitou que seus filhos, assim como ela um dia deixou a casa dos pais, precisariam ganhar o mundo para construir suas próprias histórias.
No entanto, a memória afetiva de mãe permanece viva. Em sua doce lembrança, ela ainda percorre os quartos, todas as noites, para cobrir seus nove filhos. Para todas as mães, o recado de Dona Terezinha, que já viveu quase oito décadas, é simples e atemporal: “Amem muito seus filhos”. Para mais histórias inspiradoras sobre famílias e suas jornadas, visite BBC News Brasil.
Fonte: correiodecarajas.com.br