A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta segunda-feira (11) a notificação de sete casos de infecção por hantavírus entre passageiros do navio Hondius. A atualização do balanço epidemiológico ocorreu após o diagnóstico positivo de uma cidadã francesa, que foi repatriada recentemente para dar continuidade ao tratamento médico.
Enquanto a situação sanitária a bordo é monitorada, as autoridades investigam um possível caso adicional envolvendo um cidadão americano. O paciente foi evacuado do navio nas proximidades do porto de Granadilla, em Tenerife, mas o resultado de seu exame foi classificado pelas autoridades de saúde como um positivo fraco, permanecendo inconclusivo até o momento.
Operação de socorro e luto internacional
As operações de assistência aos passageiros foram marcadas por uma tragédia durante o suporte logístico em Tenerife. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, manifestou pesar pelo falecimento de um oficial da Guarda Civil espanhola, que sofreu um ataque cardíaco enquanto atuava no resgate.
Em comunicado oficial, Tedros expressou profunda tristeza e estendeu condolências aos familiares e colegas do agente. O dirigente também aproveitou a oportunidade para agradecer publicamente às autoridades da Espanha e à população local pelo apoio logístico e humanitário prestado durante a emergência sanitária no cruzeiro.
Análise genética e o perfil do vírus
Pesquisadores internacionais disponibilizaram a sequência genética do hantavírus andino isolado de um paciente que faleceu recentemente em Zurique, na Suíça. Os dados foram depositados no GenBank, banco de dados mantido pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH).
A análise científica revelou uma similaridade de 99% com a sequência identificada em um caso registrado na Argentina em 2018. Segundo especialistas, o patógeno mantém a mesma estrutura genética observada anos atrás, sem evidências de mutações significativas que alterem seu comportamento biológico ou capacidade de transmissão.
Posicionamento oficial do governo brasileiro
No Brasil, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, buscou tranquilizar a população ao afirmar que o hantavírus é uma patologia conhecida pelas autoridades sanitárias brasileiras. O ministro ressaltou que o país registra anualmente entre 38 e 45 casos da doença, mas esclareceu que nenhum deles possui relação com a cepa andina identificada no navio.
Padilha reforçou que a transmissão da doença ocorre classicamente pela inalação de partículas de fezes de roedores infectados. O ministro garantiu que a cepa andina, que permite a transmissão entre humanos, nunca circulou em território nacional e que o Brasil possui infraestrutura laboratorial completa para identificar e genotipar o vírus, descartando qualquer risco de pandemia conforme a avaliação da OMS.
Fonte: correiodecarajas.com.br