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Mercado do boi gordo registra nova desvalorização em praças pecuárias do Brasil

José Florentino/Globo Rural
José Florentino/Globo Rural

O mercado brasileiro de carne bovina registrou uma nova rodada de desvalorização, com os preços do boi gordo apresentando quedas significativas em importantes praças pecuárias, especialmente em São Paulo. Este movimento de baixa, que já havia sido observado no dia anterior, reflete uma combinação de fatores internos e externos que moldam a dinâmica do setor. A situação atual gera atenção entre produtores e frigoríficos, que acompanham de perto as oscilações que impactam a rentabilidade e a estratégia de mercado.

A análise do cenário aponta para uma oferta confortável de animais, que tem permitido às indústrias frigoríficas alongar suas escalas de abate, diminuindo a urgência por novas compras. Este contexto de menor demanda por parte dos compradores contribui diretamente para a pressão baixista sobre as cotações, em um período de reajustes no setor.

Desvalorização do boi gordo atinge praças de referência

Em São Paulo, as praças de Araçatuba e Barretos, consideradas referências para o mercado nacional, registraram uma queda de R$ 3 na arroba do boi gordo e do “boi China”, que passaram a ser negociados a R$ 350 e R$ 355, respectivamente. O impacto da desvalorização também foi sentido no segmento de fêmeas, com as cotações da vaca e da novilha recuando R$ 2, estabelecendo-se em R$ 320 e R$ 333 por arroba.

Além do estado paulista, a Scot Consultoria identificou quedas nos preços do boi gordo em outras seis importantes regiões produtoras do país. Entre elas, destacam-se o sul e oeste da Bahia, Santa Catarina, Alagoas, Espírito Santo e Marabá, no Pará. Apesar dessas reduções pontuais, a maior parte do mercado, abrangendo outras 25 praças, conseguiu manter a estabilidade nas cotações, indicando uma heterogeneidade na intensidade da pressão de baixa.

Fatores internos impulsionam a queda nos preços

A dinâmica atual do mercado é fortemente influenciada pela oferta de bovinos, que se mostra confortável e sem grandes entraves para os frigoríficos. Essa facilidade na aquisição de animais permite que as indústrias estendam suas escalas de abate, reduzindo a necessidade de compras imediatas e, consequentemente, diminuindo a pressão compradora. O cenário é de um mercado menos aquecido, onde parte das indústrias já conseguiu recompor seus estoques e escalas de produção.

Essa conjuntura interna, marcada por uma oferta robusta e uma demanda frigorífica mais cautelosa, cria um ambiente propício para a desvalorização. A capacidade dos frigoríficos de operar com escalas mais longas sem dificuldades de abastecimento é um indicativo claro da abundância de animais disponíveis no mercado, fator crucial para a formação dos preços.

Pressão sazonal e acomodação de mercado

Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, ressalta que o boi gordo continua a enfrentar a tradicional pressão sazonal de oferta. Este fenômeno, característico de certos períodos do ano, agora se manifesta de forma mais abrangente, atingindo inclusive estados que até então não haviam sentido com tanta intensidade, como Mato Grosso. A disseminação dessa pressão baixista indica um movimento mais consolidado no mercado pecuário.

Em regiões onde a pressão de baixa já havia sido mais acentuada em meses anteriores, como abril, observa-se agora uma maior acomodação dos preços. No entanto, Minas Gerais surge como uma exceção, voltando a registrar negócios abaixo da referência média, o que sugere uma dinâmica particular para o estado em meio ao cenário nacional.

Desafios externos e o impacto nas exportações de carne bovina

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) alerta para um ambiente externo potencialmente desafiador para o Brasil nos próximos meses. A China, um dos principais destinos da carne bovina brasileira, pode apresentar um esgotamento de suas cotas de importação, o que impactaria o volume de vendas para o país asiático. Paralelamente, a União Europeia considera excluir o Brasil da lista de países que cumprem as regras exigidas pelo bloco em relação ao uso de antimicrobianos em produtos de origem animal, adicionando outra camada de complexidade ao cenário exportador.

Apesar desses desafios, o Cepea pondera que os embarques nacionais de carne bovina para o bloco europeu representam, em média, apenas 4% do total das exportações brasileiras de carne bovina. Este dado sugere que, embora a questão europeia seja relevante, seu impacto global pode ser limitado. Adicionalmente, o Centro de Estudos destaca que, independentemente desses fatores, a oferta global da proteína está reduzida, o que pode atuar como um contraponto às pressões de baixa.

Para mais informações sobre o mercado pecuário, consulte fontes especializadas como a Scot Consultoria.

Fonte: globorural.globo.com

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