Lula em agenda na Alemanha — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República
Presidente afirmou que etanol e biodiesel têm menor emissão de poluentes e que normas europeias podem prejudicar exportações; declarações foram feitas durante Feira Industrial de Hannover e no Encontro Econômico Brasil-Alemanha.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta segunda-feira (20) o potencial dos biocombustíveis brasileiros e criticou regras ambientais adotadas pela União Europeia durante visita à Alemanha.
Segundo Lula, o país tem vantagens competitivas na produção de energia limpa e pode desempenhar papel relevante na transição energética global.
“O nosso combustível já emite menos. Então, é preciso apenas que a gente possa trocar essa experiência para que vocês percebam que, quando o Brasil fala que será uma potência mundial na transição energética e que será uma potência mundial na oferta de combustível renovável ao mundo, nós não estamos falando pouca coisa, afirmou.
Lula deu declarações na Feira Industrial de Hannover e no Encontro Econômico Brasil-Alemanha.
Na ocasião, o presidente propôs uma comparação direta entre combustíveis brasileiros e europeus para medir as emissões de dióxido de carbono (CO₂).
Lula também criticou propostas europeias que, segundo ele, desconsideram práticas sustentáveis adotadas no Brasil e podem dificultar a entrada de produtos no mercado do bloco.
“A União Europeia está revisando o seu regulamento sobre biocombustíveis. Estão na mesa propostas que ignoram práticas de sustentabilidade no uso do solo brasileiro. Também entrou em vigor em janeiro o mecanismo unilateral de cálculo de carbono que desconsidera o baixo nível de emissões do processo produtivo brasileiro baseado em fontes renováveis”, mencionou Lula.
“Essas iniciativas podem dificultar a oferta de energia limpa ao consumidor europeu em momento crítico. A elevação de padrões ambientais é necessária, mas não é correta. Adotar critérios que ignorem outras realidades e prejudicam os produtores brasileiros”, prosseguiu.
De acordo com o presidente, os critérios adotados pela União Europeia não levam em conta fatores como o uso de fontes renováveis na produção e a eficiência do etanol de cana-de-açúcar, o que pode gerar distorções na classificação ambiental.
Na prática, afirmou, isso pode fazer com que combustíveis brasileiros — mesmo com menor emissão de poluentes — sejam considerados menos sustentáveis.
Durante o discurso, Lula destacou que o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com cerca de 90% da eletricidade proveniente de fontes renováveis, e apontou o etanol e o biodiesel como diferenciais competitivos.
“Nós, no Brasil, estamos dispostos a deixar de ser um país em vias de desenvolvimento e queremos nos tornar um país desenvolvido. E não jogaremos fora as oportunidades da transição energética que está colocada para o mundo. Quem quiser produzir com energia mais barata e com energia verdadeiramente limpa, procure o Brasil, que nós temos espaço e oportunidade para quem quiser apostar no futuro”, justificou.
O presidente também mencionou testes com caminhões movidos a biocombustíveis apresentados na feira, afirmando que o desempenho é equivalente ao diesel convencional, com redução significativa nas emissões.
Por Redação g1