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PCC e o temor de Bolsonaro – a influência da facção nos debates políticos

Marcola, por exemplo, poderia dar combustível para que ele perdesse o cargo em u
Reprodução Abril

A recente classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos reacendeu um debate complexo no cenário político brasileiro. Essa decisão, embora celebrada por alguns como um avanço no combate ao crime organizado, também expôs antigas tensões e contradições, especialmente no que tange à relação entre o poder público e as facções criminosas.

No contexto atual, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem utilizado a pauta para sua campanha presidencial, buscando associar adversários políticos ao crime organizado. Contudo, essa estratégia revela um contraste com a postura de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que em seu mandato expressava receios de que ações diretas contra as facções pudessem gerar instabilidade e até mesmo um processo de impeachment.

O receio de Jair Bolsonaro com o PCC e o risco de impeachment

Durante seu governo, Jair Bolsonaro manifestou uma preocupação notável com as possíveis retaliações do PCC. A teoria conspiratória, que circulava no núcleo ideológico do governo, sugeria que uma ação mais contundente contra a facção poderia provocar rebeliões em presídios e desestabilizar o país, pavimentando o caminho para um processo de impeachment.

Essa apreensão se intensificou em fevereiro de 2019, quando órgãos de inteligência detectaram um risco de fuga de Marcola, uma das lideranças mais proeminentes do sistema carcerário, do presídio de segurança máxima de Porto Velho. A iminência de sua transferência para outra unidade federal gerou um alerta no governo, que temia uma resposta violenta da facção.

A Operação Imperium e a resistência presidencial

Apesar dos temores presidenciais, o então ministro da Justiça, Sergio Moro, deu prosseguimento à Operação Imperium em fevereiro de 2019. A ação resultou na transferência de 22 líderes do PCC do presídio de Presidente Venceslau, em São Paulo, para penitenciárias federais de segurança máxima, um movimento considerado crucial para desarticular a cúpula da organização.

Entretanto, a decisão de Moro não foi isenta de resistência. O ex-ministro relatou que, dias antes da operação, Jair Bolsonaro o contatou para sugerir o cancelamento das transferências. O presidente expressava receio de que as retaliações do crime organizado contra a população civil pudessem recair sobre o governo federal, culminando em um processo de impeachment no Congresso Nacional.

A preocupação de Bolsonaro com o PCC era tão latente que ele chegou a pedir diretamente a Moro que não “mexesse com os criminosos”, revelando a dimensão do impacto que a facção exercia sobre as decisões políticas da época. A Operação Imperium, no entanto, foi adiante, marcando um ponto de inflexão na política de segurança pública.

Flávio Bolsonaro e a estratégia de associar adversários ao crime organizado

Em meio a desafios em sua própria campanha, que incluem polêmicas como um áudio pedindo dinheiro para financiar um filme sobre o pai e desentendimentos públicos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro tem intensificado a estratégia de vincular o presidente Lula ao PCC.

Recentemente, após a prisão do vereador petista Senival Moura, Flávio afirmou que o atual mandatário teria agido para proteger a facção. Semanas antes, ele já havia criticado Lula por se manifestar contrariamente à decisão da Casa Branca de classificar as facções brasileiras como terroristas, sugerindo que o presidente agia como “o chefe do PCC“.

A tática de Flávio Bolsonaro se alinha a uma narrativa política que busca capitalizar sobre a percepção pública do crime organizado. A prisão de Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária de uma trading e alvo de sanções dos Estados Unidos por suposta ligação com o PCC, na sexta-feira, 3, adicionou mais um elemento a esse cenário de intensa disputa política e acusações.

Fonte: veja.abril.com.br

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