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Petrobras avalia entrada em minerais críticos sob olhares divididos

Domínio Público
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Estratégia da Petrobras em minerais críticos

A possível incursão da Petrobras no setor de minerais críticos tem gerado intensos debates entre especialistas, executivos e o governo federal. A presidente da estatal, Magda Chambriard, sinalizou interesse em expandir a atuação da companhia para além do petróleo, visando setores estratégicos como baterias e fertilizantes. Para alas do governo, a empresa funcionaria como um atalho estratégico, evitando o desgaste político associado à criação de uma nova estatal, como a cogitada Terrabrás.

A leitura de observadores é que a Petrobras, por possuir robusta capacidade de investimento e tecnologia, teria condições de se adaptar ao marco regulatório do setor mineral. Contudo, a iniciativa enfrenta desafios significativos, como a complexidade técnica do mercado, atualmente dominado por players chineses, e a necessidade de ajustes na governança interna da companhia para validar essa nova frente de negócios.

Perspectivas e o papel da transição energética

Defensores da medida, como o consultor Maurício Tolmasquim, argumentam que a transição energética torna indissociável a agenda mineral da atuação petroleira. Segundo ele, a produção de baterias e a eletrificação dependem diretamente de insumos como lítio, níquel, cobalto e cobre, aproximando naturalmente a estatal dessas cadeias produtivas. O ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, reforça que gigantes globais, como a Saudi Aramco e a Equinor, já integram minerais estratégicos em suas operações.

Prates sugere que a estatal priorize áreas como potássio e fosfato para fertilizantes, além de exploração offshore e processamento químico. Para ele, o foco não deve ser a abertura de minas terrestres, onde a empresa carece de vantagem competitiva, mas sim o refino e a produção de materiais avançados. Essa visão é compartilhada por Frederico Bedran, diretor da AMC, que aponta o refino como o elo onde a estatal pode destravar investimentos privados ao garantir contratos de compra antecipada.

Riscos de intervenção e eficiência de mercado

Por outro lado, a movimentação levanta preocupações sobre o uso do poder econômico da estatal para interferir no mercado. A economista Elena Landau alerta para o risco de a empresa repetir experiências passadas de atuação estatal ineficiente, o que poderia afastar investidores privados. Ela ressalta que, caso a Petrobras avance na mineração, isso deve ocorrer estritamente via mercado competitivo, sem privilégios ou monopólios de reservas.

O pesquisador Lucas Barros, do Cenergia, pondera que o setor mineral possui características de mercado que frequentemente demandam algum nível de participação estatal, seja por meio de formação de estoques ou garantias de demanda, como ocorre nos Estados Unidos e na China. O desafio para a Petrobras, portanto, será equilibrar essas necessidades estratégicas com as expectativas de seus acionistas privados, que priorizam a rentabilidade da exploração de óleo bruto.

Para mais informações sobre o setor, acesse o portal da Agência iNFRA.

Fonte: agenciainfra.com

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