Uma operação da Polícia Civil do Pará, deflagrada na última segunda-feira (14.set.2026), resultou no resgate de um bebê de apenas cinco dias de vida em Altamira. A criança foi localizada pelas autoridades após uma denúncia anônima encaminhada à Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (DEACA), que evitou que o recém-nascido fosse retirado do município.
Investigação revela negociação e fraude documental
As apurações iniciais indicam que a entrega da criança era fruto de uma negociação financeira iniciada ainda durante a gestação. Segundo a delegada Leda Salgado, a mãe biológica teria aceitado receber auxílio financeiro mensal de R$ 600, além do custeio das despesas médicas, em troca da entrega do bebê. Contudo, após o nascimento, a genitora desistiu do acordo, sendo então coagida a pagar R$ 200 mil para permanecer com o filho.
O caso ganhou contornos de gravidade com a descoberta de uma fraude na Declaração de Nascido Vivo (DNV). A mãe biológica teria dado entrada no Hospital Geral de Altamira utilizando documentos de uma terceira pessoa, que seria a suposta adotante. O objetivo era registrar a criança em nome da mulher que receberia o bebê, criando uma falsa aparência de maternidade desde o momento do parto.
A rede de envolvidos e a conexão interestadual
A polícia identificou que o esquema contava com a participação de um servidor público, apontado como assessor de um vereador local, que teria atuado como intermediador. Além dele, uma mulher que viajou da Bahia até o Pará foi detida sob a suspeita de ser a destinatária final da criança. Ela estaria em Altamira há cerca de 11 dias aguardando a conclusão do processo ilegal.
Os suspeitos acompanharam a mãe biológica durante o parto e a internação hospitalar, garantindo que os dados da suposta adotante fossem inseridos no sistema da unidade de saúde. Após a alta médica, o grupo seguiu caminhos distintos, mas a rápida intervenção policial permitiu a localização do recém-nascido antes que ele fosse levado para fora da região.
Estado de saúde da criança e desdobramentos legais
Diante de relatos sobre possíveis ferimentos, o bebê foi submetido a exames periciais, que descartaram lesões graves. A criança encontra-se em bom estado de saúde e sob a proteção das autoridades competentes. Três pessoas foram presas em flagrante e encaminhadas ao sistema prisional, onde permanecem à disposição da Justiça.
A mãe biológica foi ouvida e liberada, mas segue sendo investigada e poderá responder por sua participação no caso. A Polícia Civil continua as diligências para identificar possíveis outros envolvidos e esclarecer como a fraude documental foi operacionalizada dentro da instituição hospitalar. Mais informações sobre o caso podem ser acompanhadas pelo portal A Voz do Xingu.
Fonte: avozdoxingu.com.br