Em meio ao crescimento de sua candidatura à Presidência pelo Avante nas pesquisas de intenção de voto, Augusto Cury tem enfrentado questionamentos recorrentes sobre seu espectro ideológico. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, o candidato rejeitou a necessidade de se enquadrar estritamente nos campos da direita ou da esquerda, defendendo uma postura que busca integrar elementos de ambos os lados para a gestão pública.
A convergência entre mente capitalista e sensibilidade social
Ao ser questionado sobre sua orientação política, Cury utilizou uma metáfora para explicar sua visão de mundo. “Minha mente é uma mente do melhor da direita e o meu coração tem o melhor da esquerda”, afirmou, questionando a incompatibilidade entre as duas correntes. Para o candidato, a prioridade da administração pública deve transcender ideologias, argumentando que “90% das dores não têm cor partidária”.
O candidato detalhou que o líder ideal para o século XXI deve possuir uma “mente capitalista”, pautada por princípios como meritocracia, empreendedorismo, liberdade de expressão e a busca por um Estado mais eficiente e com menor carga tributária. Simultaneamente, defende um “coração social” capaz de escutar as demandas da população, conectando essa sensibilidade à sua trajetória pessoal e profissional dedicada à prevenção de conflitos e ao apoio psicológico.
Crescimento nas pesquisas e o escrutínio do eleitorado
A ascensão de Cury nas sondagens, como o salto de 2% para 11% na pesquisa BTG/Nexus e a marca de 7,8% na AtlasIntel, trouxe um novo nível de atenção sobre suas propostas. O candidato reconhece que, ao deixar as posições inferiores nas pesquisas, passou a ser alvo de um escrutínio mais rigoroso por parte da imprensa e dos eleitores, que agora demandam maior detalhamento sobre suas diretrizes de governo.
Durante a conversa com o editor de política de VEJA, Cury afirmou que sua candidatura não é movida por ambição pessoal ou dependência do poder, mas por um senso de dever cívico. Ele destacou que a omissão de pessoas capazes de contribuir com a sociedade é mais prejudicial do que a atuação de grupos antagônicos, justificando assim sua entrada na disputa presidencial.
Projetos e a visão sobre o cenário eleitoral
Ao abordar sua motivação para o pleito, o candidato enfatizou o desejo de servir à sociedade. Cury mencionou que, com o avanço de sua candidatura, passou a incomodar figuras centrais da disputa, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele expressou o desejo de enfrentar o atual mandatário em um eventual segundo turno, visando um debate focado em indicadores e propostas concretas para o país.
O candidato também relembrou episódios de sua infância e visitas a comunidades, como a Rocinha, no Rio de Janeiro, para reforçar sua conexão com as dificuldades da população brasileira. Para Cury, a experiência de ter crescido em um ambiente de escassez material, onde oito pessoas dividiam um único quarto, fundamenta sua empatia e a convicção de que a política deve ser um instrumento de pacificação e transformação social.
Fonte: veja.abril.com.br