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Cenário político internacional redefine o diálogo entre Brasil e Estados Unidos

Cenário político internacional redefine o diálogo entre Brasil e Estados Unidos
Andrew Caballero-Reynolds/AFP

Num daqueles movimentos pendulares típicos da política internacional, Lula ganhou força e Donald Trump perdeu fôlego após as eleições realizadas recentemente no Brasil e nos Estados Unidos. Com uma virada histórica, o petista conquistou a reeleição, resistiu à onda de vitórias da direita na América do Sul e passou a ser festejado no exterior como um símbolo da resistência ao extremismo.

Já o mandatário americano sofreu uma derrota nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, nas quais os Republicanos, partidários de Trump, perderam a maioria que tinham tanto na Câmara quanto no Senado. Os rivais Democratas, que agora dominam as duas Casas do Congresso, ainda ficaram à frente na maior parte dos governos estaduais.

Impactos nas relações bilaterais e comércio exterior

A grande dúvida é como Trump reagirá ao revés nas urnas. A reação dele interessa inclusive ao Brasil, que tem uma pauta repleta de assuntos espinhosos para tratar com os Estados Unidos, sendo o mais conhecido deles os tarifaços impostos pelo governo americano às exportações brasileiras.

A gestão brasileira apresentou argumentos técnicos para tentar derrubar as sobretaxas, mas foi ignorada até agora pela equipe de Trump. Em parceria com companhias americanas, empresas do país até conseguiram livrar alguns produtos e setores do tarifaço, mas o tema continua a tensionar a relação diplomática entre os dois governos.

Expectativas econômicas e o custo de vida

Como o descontentamento da população com o custo de vida é apontado como uma das causas da vitória dos Democratas sobre os Republicanos, há a expectativa do lado brasileiro de que Trump, por uma questão de sobrevivência política, recue da investida contra o Brasil ou pelo menos atenue a amplitude do tarifaço, que encareceu produtos consumidos no exterior.

Por enquanto, nada indica que tal recuo acontecerá, visto que o governante americano mantém um perfil imprevisível. Não há certeza nem mesmo se uma reunião entre as equipes técnicas dos dois países, prevista para o mês corrente, realmente ocorrerá, num cenário onde o volume de comércio bilateral sofreu oscilações recentes.

Divergências estratégicas entre os líderes

De campos políticos distintos, os dois líderes mantêm uma relação pessoal de idas e vindas, intercalada por declarações amistosas e embates verbais. As diferenças entre eles não são apenas de cunho eleitoral.

Existem divergências em diversos temas sensíveis, como a exploração de minerais críticos, a regulação das grandes empresas de tecnologia e as pretensões estratégicas na América Latina, mantendo as negociações diplomáticas em compasso de espera.

Fonte: veja.abril.com.br

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