Os reservatórios do Sistema Interligado Nacional registraram 65,9% do volume útil no mês de outubro, marcando o segundo maior patamar para o período desde 2015. O dado foi divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico por meio da quinta edição do Boletim Mensal do Painel El Niño.
Apesar de uma retração de 5,4% em comparação ao início de setembro, a autarquia federal confirmou que todos os sistemas hídricos que possuem faixas operativas estabelecidas continuam operando dentro da normalidade esperada para o setor elétrico brasileiro.
Panorama dos reservatórios e bacias pelo país
Na Região Sul, o armazenamento dos reservatórios atingiu 78,1% do volume útil. Nas bacias do Paranapanema, as vazões afluentes superaram em duas vezes a média histórica de outubro, o que garantiu índices elevados em importantes usinas da região.
O reservatório de Jurumirim registrou 79,9%, enquanto Chavantes marcou 78,5% e Capivara alcançou 73,8%. No Rio São Francisco, o volume útil chegou a 71,9% em Três Marias e a 62% em Sobradinho. Em contrapartida, o reservatório de Serra da Mesa, localizado no Tocantins, operava com 43,6% da capacidade.
Situação hídrica no Nordeste e no Sistema Cantareira
Nos estados nordestinos e no semiárido mineiro, o volume armazenado nos açudes monitorados apresentou recuo de 47,2% em setembro para 45,4% em outubro. Do total de 411 reservatórios acompanhados de perto pelo órgão regulador, 103 operavam com menos de 20% da capacidade total.
No Sudeste, o Sistema Cantareira apresentou alta de 4,7% em relação ao mês anterior, atingindo 46% do volume útil. No entanto, mesmo com o acréscimo no manancial que abastece parte da Região Metropolitana de São Paulo, o sistema continua operando formalmente na faixa de atenção.
Previsões climáticas e o impacto do El Niño
O boletim hidrológico aponta uma probabilidade de 100% de persistência das condições associadas ao fenômeno El Niño até, pelo menos, o início de 2027, com chances de que o evento atinja intensidade muito forte. As projeções para o último trimestre indicam precipitações acima da média na Região Sul e volumes abaixo da média nas áreas do centro-norte do país.
De acordo com o Monitor de Secas, a área territorial afetada por seca grave no Nordeste expandiu-se de 16% para 28% entre agosto e setembro. Na Região Norte, o percentual da área afetada dobrou, passando de 4% para 8%. Enquanto isso, os três estados sulistas permaneceram completamente livres de seca pelo segundo mês consecutivo, embora enfrentem riscos elevados de inundações.
Fonte: agenciainfra.com