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O salário médio europeu e o desafio de comprar uma casa de 1 milhão de euros

O salário médio europeu e o desafio de comprar uma casa de 1 milhão de euros
Reprodução Euronews

Adquirir uma propriedade de alto valor na Europa representa um desafio financeiro significativo para a maioria dos trabalhadores. Uma análise recente revela que, para comprar uma casa avaliada em 1 milhão de euros, o rendimento médio na União Europeia está longe de ser suficiente, exigindo um esforço financeiro consideravelmente acima da média nacional na maioria dos países.

Este cenário se aplica tanto a apartamentos urbanos em capitais movimentadas quanto a residências de luxo em regiões mais tranquilas. A disparidade de rendimentos e custos de vida entre os estados-membros da UE cria um panorama complexo para quem almeja a compra de um imóvel nesta faixa de preço.

A complexidade do crédito imobiliário para casas de alto valor

Para determinar o salário necessário, a análise considerou um cenário típico de crédito à habitação. As premissas incluíram uma entrada de 20% do valor do imóvel, uma taxa de juro fixa de 3,5% e um prazo de reembolso de 30 anos. Além disso, foi estipulado que os compradores destinariam no máximo 33% do seu rendimento bruto mensal para a prestação da casa.

Com uma entrada de 200.000 euros e um empréstimo de 800.000 euros, a prestação anual do crédito à habitação seria de 43.108 euros, o que equivale a 3.592 euros por mês. Para cumprir o limite de 33% do rendimento bruto, o comprador precisaria de um rendimento bruto anual de 130.631 euros, ou seja, 10.886 euros por mês. É importante notar que estes cálculos não incluem impostos sobre o património, seguros, custos de transação ou outras comissões, e as condições reais de concessão de crédito variam.

O panorama da acessibilidade em diferentes nações europeias

A quantidade de salários médios necessários para adquirir uma casa de 1 milhão de euros varia drasticamente na Europa, com uma diferença de quase cinco vezes entre o valor mais baixo e o mais elevado dentro da UE. Os trabalhadores médios na Bulgária enfrentam a situação mais difícil, necessitando de um rendimento equivalente a 7,8 salários médios para uma pessoa solteira e sem filhos.

Em contraste, o Luxemburgo é o país onde os compradores de salário médio estão mais próximos de alcançar este objetivo, precisando de apenas 1,6 salários médios. Outros países com uma exigência relativamente menor incluem Dinamarca (2,1), Irlanda (2,3), Bélgica (2,4), Áustria (2,5), Países Baixos (2,6), Alemanha (2,7), Finlândia (2,8) e Suécia (2,8).

No outro extremo, além da Bulgária, a Grécia (7,2), Hungria (6,7), Eslováquia (6,3) e Polónia (5,8) estão entre os países onde o esforço é maior. Roménia (5,8), Letónia (5,7), Chéquia (5,2), Portugal (5,2), Croácia (5,2) e Estónia (5,0) também exigem o equivalente a cinco ou mais salários médios.

Salários médios e a realidade para casais na compra de imóveis

Para casais onde ambos os parceiros ganham o salário médio, a relação de esforço para comprar uma casa de 1 milhão de euros é significativamente reduzida. No Luxemburgo, o rendimento necessário corresponde a 0,8 vezes o total dos salários brutos do casal, o que significa que dois assalariados médios estão dentro do limite de 33% do rendimento para a prestação.

A Dinamarca também se aproxima, com um rendimento necessário equivalente a 1,05 vezes o salário conjunto de um casal. Contudo, de acordo com as premissas utilizadas, o Luxemburgo é o único país da UE onde dois trabalhadores com o salário médio cumprem o limiar de acessibilidade. Na Bulgária, mesmo um casal com salários médios ainda precisaria de um rendimento equivalente a quase quatro vezes o total que recebe, tornando a casa ainda muito difícil de suportar.

As maiores economias da UE e o mercado de casas de 1 milhão de euros

Entre as quatro maiores economias da União Europeia, a Alemanha apresenta a melhor posição em termos de acessibilidade para uma casa de 1 milhão de euros, exigindo 2,7 salários médios. França segue com 3,1 salários médios, enquanto Espanha e Itália apresentam um esforço maior, com 4,0 e 4,1 salários médios, respetivamente.

Estes dados, baseados em informações de 2025 do Eurostat sobre salários brutos de trabalhadores a tempo inteiro, solteiros e sem filhos, sublinham a importância de considerar o contexto económico local ao avaliar a viabilidade de grandes investimentos imobiliários. Os salários brutos anuais médios variam consideravelmente na Europa, impactando diretamente a capacidade de compra. Dados do Eurostat fornecem uma base para entender essas variações.

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