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STF suspende sessão após bate-boca entre ministros sobre processos do Banco Master

STF suspende sessão após bate-boca entre ministros sobre processos do Banco Master
Fellipe Sampaio/STF

A sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada nesta terça-feira (15) terminou sem uma definição sobre o rito de julgamento das apurações envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O impasse, que gira em torno da possibilidade de analisar conjuntamente ou separadamente os casos relacionados ao Banco Master, foi agravado por um acalorado debate entre os magistrados, culminando em um pedido de vista do ministro Flávio Dino.

O clima de tensão na Corte atingiu seu ápice durante a fala do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Após uma troca de farpas entre Gilmar Mendes e André Mendonça, que envolveram acusações mútuas de desfaçatez, Flávio Dino interveio criticando a condução dos trabalhos pelo presidente do tribunal, Edson Fachin. O pedido de vista de Dino suspendeu o andamento do processo, que agora aguarda um novo posicionamento para retornar à pauta.

Impasse sobre a reunião de processos e o placar no plenário

Antes da interrupção, o plenário contabilizava quatro votos a três favoráveis à separação dos processos. Os ministros Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia posicionaram-se pela análise individualizada, enquanto Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam a junção das causas. O voto de Flávio Dino, que inicialmente era pela análise conjunta, foi retirado com o pedido de vista.

A divergência central reside na natureza das bases fáticas de cada caso. André Mendonça argumentou que não há identidade entre as situações, mencionando a existência de um suposto relatório de inteligência que ele classificou como ilegal. Em contrapartida, Alexandre de Moraes refutou as alegações de monitoramento, qualificando-as como patéticas e sugerindo que a veracidade das informações seja atestada por meio de depoimentos de testemunhas.

Contexto da crise e reflexos institucionais

A crise entre os magistrados teve início no início de setembro, após André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal contendo mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, além de dados sobre contratos do banco com o escritório da esposa do ministro. Em resposta, Moraes divulgou outro documento da corporação, questionando a atuação de Mendonça em investigações correlatas.

Ao final da sessão, a ministra Cármen Lúcia manifestou preocupação com a imagem do Judiciário diante do público. Ela destacou que, em um momento próximo às eleições, o tribunal deveria transmitir serenidade e tranquilidade à população, lamentando que o ambiente interno tenha gerado o efeito oposto. A ministra reforçou que o papel da Corte é garantir a estabilidade institucional, algo que, segundo sua percepção, foi prejudicado pelos episódios recentes.

Prazos e próximos passos no tribunal

Com o pedido de vista formalizado, o rito de julgamento permanece em suspenso. O regimento interno do STF estabelece um prazo de 90 dias para que o processo retorne ao plenário após a análise de Flávio Dino. Enquanto a questão processual não é resolvida, a análise específica sobre a conduta de André Mendonça segue com previsão de ocorrer em 23 de setembro. Mais informações podem ser acompanhadas diretamente no portal oficial do Supremo Tribunal Federal.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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