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Tráfico de animais silvestres na Amazônia coloca estado em evidência

Tráfico de animais silvestres na Amazônia coloca estado em evidência
Jader Paes

O estado brasileiro está no centro de uma das faces menos visíveis do crime ambiental na Amazônia: o comércio clandestino de fauna. A retirada de espécies da floresta, dos rios e de outros hábitats alimenta mercados nacionais e internacionais, enquanto a falta de dados integrados dificulta o rastreamento das rotas e a responsabilização dos envolvidos na destruição ambiental.

Pesquisa científica mapeia centenas de espécies comercializadas

Um levantamento publicado em 2026 na revista científica Human Ecology analisou 34 artigos sobre o comércio ilegal de animais na Amazônia brasileira. Os pesquisadores identificaram 137 espécies comercializadas clandestinamente na região, abrangendo diferentes classes da fauna nativa.

As aves representam 36,4% das espécies registradas no levantamento. Em seguida aparecem os mamíferos com 28,4%, os répteis com 18,9% e os peixes somando 15,3% do total mapeado pelos cientistas.

Destaque nos estudos acadêmicos e o caso do rio Xingu

O território paraense aparece com forte presença nas análises acadêmicas. Vinte e três dos 34 estudos examinados abordaram o estado de forma integral ou parcial, com a capital Belém incluída em 14 pesquisas científicas.

Um caso emblemático envolve o cascudo-zebra, peixe ornamental criticamente ameaçado de extinção e encontrado apenas em um trecho específico do rio Xingu. Enquanto pescadores locais recebem cerca de R$ 1 por exemplar, o animal chega a ser vendido por até R$ 300 no exterior.

Rotas internacionais e a pressão sobre a fauna local

A rota do tráfico pode percorrer cerca de 2 mil quilômetros até a tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Desse ponto, os animais seguem para mercados internacionais altamente lucrativos, sem que os benefícios financeiros retornem às comunidades locais.

Os registros estaduais também revelam a pressão constante sobre a biodiversidade regional. Em 2024, órgãos públicos contabilizaram 1.618 resgates de animais silvestres no estado, evidenciando a alta demanda por fiscalização, proteção e atendimento à fauna.

Fonte: aprovinciadopara.com.br

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