A Prefeitura de Belém implementou recentemente uma força-tarefa abrangente na Praça Batista Campos, um dos importantes espaços verdes da cidade, com o objetivo de mitigar a crescente proliferação de garças. A iniciativa busca não apenas controlar a população das aves, mas também reduzir os impactos ambientais e sanitários causados pela sua alta concentração no local. Coordenada pela Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel), em colaboração com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), a operação reflete um esforço conjunto para restaurar o equilíbrio ecológico e a qualidade de uso da praça.
A ação emergencial foi desencadeada pela observação de um aumento significativo no número de garças que escolheram a praça como habitat, alterando seu comportamento migratório natural. Este fenômeno, atribuído à combinação de fatores como a presença de árvores frondosas e a abundância de tilápias nos lagos, tem gerado preocupações sobre a saúde pública e a conservação do espaço urbano. As medidas adotadas visam reverter essa situação, garantindo um ambiente mais saudável e agradável para os frequentadores e para a própria fauna local.
Lavagem Diária e Manejo Ambiental na Praça Batista Campos
Como parte central da operação, equipes da Sezel iniciaram um regime de lavagem diária de toda a Praça Batista Campos, uma medida que será mantida por tempo indeterminado. O principal objetivo dessa ação é a remoção contínua dos dejetos das aves, que se acumulam rapidamente e contribuem para a degradação do ambiente. A prefeitura enfatiza que esta limpeza intensiva é crucial para melhorar as condições de uso do espaço público e, simultaneamente, desestimular a permanência das garças.
Orlando Mastri, secretário executivo de Parques e Praças da Sezel, explicou a estratégia por trás da limpeza. “A lavagem, além de melhorar o espaço para a utilização dos frequentadores, proporcionando um ambiente mais limpo, também modifica o odor da praça, não apenas para quem frequenta o local, mas para que as garças se sintam incomodadas por não encontrarem mais o cheiro dos dejetos que elas mesmas produzem”, afirmou. Ele ressaltou que o acúmulo de dejetos cria um ambiente propício para as aves, e a limpeza constante visa romper esse ciclo, tornando o local menos atrativo para a formação de colônias.
Educação e Orientação para a Comunidade
Paralelamente às ações de limpeza, a Semma está conduzindo uma importante campanha de educação ambiental. Esta iniciativa, que se estenderá por alguns dias, com atividades programadas no período da manhã, é direcionada tanto aos comerciantes locais quanto aos frequentadores da Praça Batista Campos. O objetivo é conscientizar a população sobre os desafios impostos pela concentração de aves e as melhores práticas para coexistir com a fauna urbana de forma segura e responsável.
A campanha inclui a distribuição de materiais informativos e orientações detalhadas sobre os riscos potenciais relacionados à interação com as garças. Um ponto crucial abordado é como proceder em situações de encontro com animais feridos ou mortos. Ellen Eguchi, diretora do Bosque Rodrigues Alves, enfatizou a importância de não tocar ou remover as aves. “A orientação é não tocar nem remover o animal, porque não se sabe quais doenças ele pode estar veiculando”, explicou.
Em vez de intervenção direta, a diretora orienta a população a acionar as autoridades competentes. “O correto é acionar a Guarda Municipal, pelo número 153, ou o Batalhão de Polícia Ambiental, por meio do 190“, completou Eguchi, garantindo que o manejo adequado seja realizado por profissionais qualificados, minimizando riscos à saúde pública e ao bem-estar animal.
Entendendo a Proliferação de Garças e o Plano Emergencial
A concentração elevada de garças na Praça Batista Campos é resultado de uma combinação de fatores ambientais. Segundo a prefeitura, a presença de árvores densas no espaço, que servem como abrigo e local de nidificação, aliada à grande quantidade de tilápias nos lagos da praça, principal fonte de alimento para as aves, criou um ecossistema altamente favorável à sua permanência. Esse cenário levou a uma alteração no comportamento migratório das garças, que passaram a se fixar no local.
Diante dessa situação, a prefeitura elaborou um plano emergencial multifacetado. As ações previstas incluem o atendimento a animais feridos, a remoção segura de aves encontradas mortas, a continuidade da lavagem e desinfecção diária da praça, e a retirada das tilápias dos lagos. A remoção dos peixes é considerada uma medida estratégica para reduzir a principal atração alimentar que contribuiu para o aumento da população de garças, incentivando-as a buscar outros habitats mais adequados.
Ellen Eguchi também destacou que a alta concentração das aves tornou mais visíveis fenômenos naturais de mortalidade, além de intensificar disputas territoriais entre elas. Essa dinâmica, por sua vez, tem atraído urubus, que acabam predando parte dos animais. A diretora esclareceu que, embora impactante visualmente, esse processo faz parte da cadeia alimentar natural e da ecologia do ambiente, sendo um reflexo da superpopulação de garças no local.
Para mais informações sobre as iniciativas de manejo ambiental na cidade, consulte fontes oficiais da Prefeitura de Belém: portalofato.com.br.
Fonte: portalofato.com.br