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Julho das Pretas na Unifesspa amplia visibilidade e debate sobre racismo

Julho das Pretas na Unifesspa amplia visibilidade e debate sobre racismo
Ieda Leal foi uma das conferencistas do evento na Unifesspa

A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) sediou recentemente a quinta edição do Julho das Pretas, um evento que se consolida como um espaço vital para o debate sobre racismo e a promoção da equidade. Realizado na Unidade I da instituição, em Nova Marabá, a iniciativa alude ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela, reforçando a importância da discussão sobre as complexas realidades enfrentadas pelas mulheres negras.

Coordenado pela professora Flávia Marinho Lisbôa, da Faculdade de Educação do Campo (Fecampo) e idealizadora do projeto em 2022, o Julho das Pretas integra a agenda do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da universidade. A programação abrangente incluiu oficinas, apresentações de trabalhos acadêmicos, rodas de conversa, palestras, exposições artísticas e diversas atividades culturais, atraindo um público diversificado e engajado.

Debates sobre Racismo e Equidade: Amplificando Vozes e Desafios

O evento teve como foco principal a ampliação da visibilidade das desigualdades que afetam as mulheres negras e o fortalecimento do debate sobre políticas públicas eficazes. Conforme a professora Flávia Marinho Lisbôa, as opressões que estruturam a sociedade brasileira incidem de forma particular no corpo da mulher negra, exigindo uma análise interseccional na avaliação das políticas públicas.

Os debates da tarde abordaram os desafios locais no enfrentamento ao racismo, contando com a participação de figuras importantes como Rosemayre Bezerra, do Movimento Consciência Negra, e Heidiany Moreno, do Instituto Instrelas. Um dos pontos altos foi a conferência “Mulheres negras e a radicalização da democracia: conspirando resistências e futuros possíveis”, ministrada pela sindicalista Ieda Leal, integrante do Movimento Negro Unificado (MNU) e secretária nacional de Imprensa e Divulgação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Interseccionalidade e Pesquisa na Amazônia

A programação matutina foi dedicada ao V Colóquio Raça e Interseccionalidades na Amazônia, um fórum crucial para a apresentação de pesquisas e projetos. Este espaço permitiu a discussão de temas como território, educação, saúde e relações étnico-raciais, em diálogo com gênero, sexualidade e outros sistemas de opressão.

O professor Daniel Nogueira, da Faculdade de Ciências Econômicas da Unifesspa e coordenador de um dos eixos temáticos do colóquio, destacou a importância de incorporar as discussões sobre raça, gênero e sexualidade nos estudos acadêmicos. Muitos pesquisadores relataram ter percebido, pela primeira vez, a centralidade do olhar interseccional para a compreensão das diversas realidades pesquisadas na região.

Expressões Artísticas e Culturais

As artes visuais tiveram um papel significativo na edição, com exposições das artistas Clara Guido e Dani Pimentel. Clara apresentou obras inspiradas em mulheres de sua trajetória pessoal, enquanto Dani explorou diferentes tonalidades de pele, provocando reflexões sobre identidade e pertencimento. A rapper e DJ Nic Dias, artista da Amazônia urbana de Belém, também marcou presença, compartilhando suas vivências e a produção artística da mulher negra da região Norte.

A dança popular foi celebrada por meio de uma oficina ministrada pelo Grupo Kizomba, com os bailarinos Lette Trindade e Warllen Borges. Eles apresentaram elementos do carimbó e de outras manifestações culturais da região, evidenciando a riqueza da cultura local. O encerramento do evento contou com a exibição do audiovisual “Registrar para existir: memória e experiências de mulheres negras em Marabá”, além de apresentações no Palco Aberto e um show de Nic Dias.

Legado e Reconhecimento da Iniciativa

A quinta edição do Julho das Pretas foi uma experiência de inclusão e valorização cultural, conforme pontuou a artista Dani Pimentel. A professora Flávia Marinho Lisbôa avaliou o crescimento da iniciativa ao longo de cinco anos, destacando o reconhecimento conquistado junto à comunidade acadêmica e aos movimentos sociais.

A cada edição, o evento tem observado uma participação mais diversa do público, o fortalecimento de parcerias e impactos positivos nas pesquisas e reflexões desenvolvidas na região. O Julho das Pretas se consolida como um instrumento essencial de conscientização e valorização da população negra, promovendo um diálogo contínuo e aprofundado sobre questões raciais e de gênero. Para mais informações sobre as iniciativas da universidade, visite o site da Unifesspa.

A realização do evento contou com o apoio de diversos parceiros, incluindo movimentos sociais, a Fundação Casa da Cultura de Marabá, o Sindicato dos Bancários, o Sindicato dos Docentes da Unifesspa (SindUnifesspa), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e diferentes setores da própria universidade, como o Laboratório de Contas Regionais da Amazônia (Lacam), o grupo de pesquisa Políticas Públicas de Mitigação e Adaptação Climática na Amazônia Oriental Brasileira a partir da Bioeconomia (PPMAC) e o Programa de Pós-Graduação em Dinâmicas Territoriais e Sociedade na Amazônia.

Fonte: correiodecarajas.com.br

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