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Cade apura transferência de controle da Serra Verde para grupo americano em negócio de terras raras

15 anos para abastecer a empresa. Esta, segundo o órgão, é capitalizada por “div
15 anos para abastecer a empresa. Esta, segundo o órgão, é capitalizada por “div

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) iniciou um procedimento administrativo para investigar a regularidade da aquisição da mineradora Serra Verde pela empresa americana USA Rare Earth (USAR). A apuração, deflagrada pela Superintendência-Geral, busca determinar se a transação societária exige notificação obrigatória ao órgão antitruste e se há potenciais impactos concorrenciais no mercado de mineração de terras raras.

A investigação do Cade surge em um cenário de crescente interesse global por terras raras, elementos cruciais para tecnologias modernas, e destaca a complexidade das operações que envolvem ativos estratégicos. A Serra Verde, localizada em Minaçu (GO), é a única mineradora de terras raras em fase de produção fora da Ásia, conferindo-lhe uma posição de destaque no panorama internacional.

Análise da Transação e Abrangência Global da Mineração

O ato de concentração em análise pelo Cade envolve a formação de uma multinacional com operações que abrangem toda a cadeia de suprimentos de terras raras, desde a mineração até a fabricação de ímãs. A nova entidade combinaria oito operações localizadas no Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido, consolidando capacidades em mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs permanentes.

Um dos pontos centrais do acordo é o compromisso da Serra Verde de fornecer terras raras à USAR por um período de 15 anos. A empresa americana, por sua vez, é capitalizada por diversas agências do governo dos Estados Unidos e por fontes de capital privado, com preços mínimos previamente estabelecidos para suas terras raras magnéticas. Essa estrutura levanta questões sobre a dinâmica de mercado e a segurança do fornecimento.

O Papel Estratégico das Terras Raras no Cenário Mundial

As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de uma vasta gama de produtos de alta tecnologia, incluindo veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones e equipamentos de defesa. A relevância estratégica desses materiais é inegável, e o controle de sua produção e processamento tem implicações geopolíticas significativas.

Atualmente, a China detém uma posição dominante no mercado global, respondendo por mais de 60% da produção mundial de terras raras e cerca de 90% do processamento e fabricação dos ímãs permanentes. A Serra Verde, mesmo antes da recente negociação, já era controlada por um fundo americano, e sua capacidade produtiva fora do eixo asiático a torna um ativo de grande valor estratégico para nações que buscam reduzir a dependência da China.

Questionamentos Legais e o Interesse Nacional na Mineração

Paralelamente à apuração do Cade, o Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu um pedido de liminar do partido Rede Sustentabilidade para suspender a transferência de controle da mineradora Serra Verde. O partido argumenta que a operação societária, dada a relevância do projeto, exige uma análise aprofundada sob a ótica do interesse nacional, destacando sua importância estratégica no contexto geopolítico contemporâneo.

O processo no Supremo, que tem como relator o ministro Nunes Marques, reflete a preocupação com a soberania sobre recursos naturais estratégicos e a necessidade de garantir que transações de tal magnitude estejam alinhadas com os objetivos de desenvolvimento e segurança do país. A discussão transcende a esfera econômica, adentrando o campo da política externa e da segurança nacional.

Próximos Passos da Apuração do Cade

A abertura do Procedimento Administrativo para Apuração de Ato de Concentração (APAC) pelo Cade não implica, necessariamente, que a operação será considerada irregular ou que existam problemas concorrenciais. O objetivo inicial é entender a fundo a combinação de negócios entre a Serra Verde e a USAR e o acordo de fornecimento associado.

Ao final de sua apuração, a Superintendência-Geral do Cade poderá adotar diferentes caminhos: arquivar o processo, considerar a operação consumada sem objeções, ou, caso identifique indícios de infração à ordem econômica, abrir um processo administrativo para uma análise mais aprofundada. O desfecho dessa investigação será crucial para definir o futuro da Serra Verde e o cenário da mineração de terras raras no Brasil.

Fonte: agenciainfra.com

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