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TCU alerta Petrobras sobre prioridade a dividendos e demanda maior controle de caixa

unanimidade. O ministro também apontou crescimento da dívida da estatal e critic
Reprodução Agenciainfra

O Tribunal de Contas da União (TCU) emitiu uma recomendação unânime à Petrobras, solicitando a implementação de limites claros para a execução de investimentos, pagamento de dívidas e distribuição de dividendos. A decisão, tomada em plenário, reflete uma preocupação com o desalinhamento entre o fluxo de caixa da estatal e as projeções de seu Plano Estratégico, especialmente no período analisado.

A área técnica do tribunal, AudPetróleo, identificou um distanciamento significativo da execução financeira em relação ao planejado, o que levou o ministro relator a criticar a alocação de caixa, considerada excessiva para proventos a acionistas em detrimento da desalavancagem e dos investimentos essenciais para o futuro da companhia.

Análise do TCU: Desalinhamento Estratégico e Financeiro

A principal recomendação do TCU à Petrobras é o estabelecimento de faixas de variação e limites de tolerância para os principais componentes do fluxo de caixa. Essa medida visa corrigir o que o tribunal identificou como um descasamento entre a evolução de investimentos, dívidas e dividendos, que se afastou consideravelmente do previsto no Plano Estratégico 2024-2028.

O ministro relator destacou que, ao priorizar a distribuição de dividendos em ciclos de alta de preços, enquanto reduz sua carteira de investimentos, a Petrobras pode comprometer sua sustentabilidade a longo prazo. Ele observou que empresas congêneres no cenário internacional têm aproveitado esses ciclos para fortalecer sua estrutura de capital, reduzir endividamento e investir em transição energética e reposição de reservas.

A Inversão das Prioridades e o Impacto nos Investimentos

A análise técnica do TCU revelou uma inversão material nas prioridades de alocação de caixa da Petrobras. Enquanto o Plano Estratégico 2024-2028 previa direcionar uma parcela significativa das fontes de caixa para investimentos (52%), a execução no período analisado mostrou um Capex 39% inferior ao planejado.

Em contrapartida, os pagamentos de dívidas superaram as projeções em 49%, e a distribuição de dividendos foi 88% maior que o estimado. Essa inversão fez com que os investimentos se tornassem a menor rubrica no fluxo de caixa, enquanto os dividendos assumiram uma posição de destaque, desvirtuando a lógica do planejamento estratégico da empresa.

Dívida Crescente e Cenário Geopolítico Desafiador

O tribunal também apontou para o crescimento da dívida bruta da estatal nos últimos anos, impulsionada por arrendamentos, e a deterioração de indicadores de rentabilidade, como margem Ebitda e ROCE. Essa tendência, segundo o ministro relator, se descolou do comportamento observado em empresas pares internacionais, sinalizando alertas para a saúde financeira da companhia.

Em um contexto geopolítico de alta nos preços do petróleo, que pode mascarar ineficiências operacionais, a governança da Petrobras é submetida a um teste de estresse. O TCU alertou que a geração de lucros contábeis e caixa de curto prazo, impulsionados por choques externos de preço, não deve encobrir perdas de eficiência, como a queda do Índice de Eficiência Produtiva (IEP), o aumento do lifting cost ou falhas na reposição de reservas. Em um período recente, a empresa registrou lucro recorde, mas também uma queda de 27% em seu Fluxo de Caixa Livre, além de uma redução de 17,3% em sua carteira base de investimentos firmes e uma contração de 29,1% no Capex em um trimestre recente.

Recomendações do Tribunal para a Governança da Petrobras

Além de sugerir faixas de controle para os itens do fluxo de caixa, o TCU recomendou que a Petrobras institua e aprove um plano de contingência. Este plano deve ser acionado tempestivamente sempre que houver uma aproximação material ou o rompimento dos limites de variação estipulados.

Para fortalecer esse plano, a corte de contas sugere a incorporação de testes de estresse para cenários macroeconômicos e de choques de preços decorrentes de tensões geopolíticas internacionais. Adicionalmente, o monitoramento do posicionamento da Petrobras (benchmarking) frente ao comportamento de empresas pares no mercado global de óleo e gás é considerado crucial. O acompanhamento contínuo dos indicadores da Petrobras pela AudPetróleo será mantido, garantindo a fiscalização das medidas propostas. Saiba mais sobre o trabalho do TCU.

Fonte: agenciainfra.com

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