PUBLICIDADE

Castanheiras do asfalto: livro conecta a história e o legado ambiental de Marabá

Bosco Jadão
No lançamento da pedra fundamental da Maçonaria, na década de 1970, uma castanheira ainda fazia parte da paisagem da Nova Marabá Arquivo: Bosco Jadão

Marabá, no Pará, celebra o lançamento de uma obra literária que mergulha na rica história da cidade através do olhar sobre suas castanheiras remanescentes. O livro “Castanheiras do Asfalto”, da Banzeiro Comunicação e assinado pelo jornalista e escritor Ulisses Pompeu, propõe uma reflexão sobre a evolução urbana e a preservação ambiental, destacando o papel fundamental da castanha-do-pará no desenvolvimento local.

O lançamento, ocorrido em um local simbólico ao lado de uma castanheira na sede da Secretaria Municipal de Agricultura (Seagri), marca um momento importante para a memória e a identidade de Marabá. A obra vai além de um simples inventário, oferecendo uma profunda viagem pela trajetória econômica, social e ambiental que moldou a ocupação do território ao longo do século XX.

O legado das castanheiras na formação de Marabá

O livro, com suas 124 páginas ilustradas, detalha como a castanha-do-pará se tornou o principal motor econômico de Marabá entre as décadas de 1920 e 1970. Ele explora o surgimento dos castanhais, as disputas por terras, o poder das oligarquias da castanha e a vida dos trabalhadores da floresta.

A publicação também aborda as transformações desencadeadas pela expansão da pecuária, da exploração madeireira e pela chegada da mineração. Durante décadas, a economia da cidade girou em torno da amêndoa, que era exportada para diversos mercados, influenciando o surgimento de bairros, o crescimento do comércio e a chegada de milhares de trabalhadores à região.

A obra enriquece a narrativa com curiosidades históricas, documentos, fotografias e relatos que ajudam a compreender a importância da castanha para a formação da cidade. Muitas das castanheiras ainda de pé são centenárias, testemunhando a paisagem antes mesmo da chegada dos primeiros colonizadores.

O inventário e o declínio das árvores urbanas

“Castanheiras do Asfalto” nasceu de um levantamento iniciado em 2016, que visava identificar e catalogar as castanheiras presentes na área urbana de Marabá. Naquele período, foram registradas 128 árvores, um número que, infelizmente, diminuiu para 114 atualmente.

Essa perda gradual é um alerta para a fragilidade de um dos principais símbolos da cidade. O autor Ulisses Pompeu ressalta que cada árvore que desaparece representa mais do que uma simples derrubada; é um pedaço da identidade e da história de Marabá que se esvai.

Conexões vivas: castanheiras como testemunhas do tempo

Além do resgate histórico, o livro percorre diversos bairros e núcleos urbanos da atualidade, narrando a trajetória das castanheiras que ainda resistem. Algumas estão em áreas residenciais, outras próximas a escolas, clubes, instituições públicas, condomínios e rodovias.

Essas árvores funcionam como testemunhas silenciosas da transformação urbana, mantendo viva a memória de uma época em que a floresta dominava a paisagem local. Elas resistem, muitas vezes cercadas por ruas e empreendimentos imobiliários, conectando o passado rural ao presente urbanizado da cidade.

Educação e preservação: um chamado para as novas gerações

Com um foco especial em estudantes do ensino fundamental e médio, o livro busca aproximar as novas gerações da história da cidade e despertar a reflexão sobre a importância da preservação ambiental. Exemplares da obra serão distribuídos em escolas públicas de Marabá, visando integrar o tema ao currículo educacional.

A publicação reforça que a castanheira não é apenas uma espécie da floresta amazônica, mas um símbolo oficial de Marabá, presente no brasão do município e intrinsecamente ligada à construção de sua identidade histórica e cultural. O livro ainda oferece um QR Code que permite aos leitores acessar um mapa com a localização das árvores catalogadas, promovendo uma experiência interativa. Para mais informações sobre a castanha-do-pará e sua importância, consulte o site da Embrapa.

Experiência imersiva e o apoio à cultura local

O lançamento do livro foi concebido como um evento sensorial, projetado para aguçar os cinco sentidos dos participantes, com elementos vindos diretamente da floresta. Além do evento oficial, outras ações estão previstas em escolas e universidades, incluindo a UEPA, que oferece cursos relacionados ao meio ambiente, como Engenharia Ambiental e Engenharia Florestal.

A produção de “Castanheiras do Asfalto” contou com a colaboração de diversos profissionais, incluindo professores da Unifesspa e fotógrafos. A iniciativa é uma produção da Banzeiro Comunicação, com patrocínio da Vale, Mirante Empreendimentos e Grupo Correio de Comunicação, e apoio institucional de diversas entidades, como o Ministério Público do Pará e a Câmara Municipal de Marabá.

Fonte: correiodecarajas.com.br

Leia mais

Últimas

PUBLICIDADE