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Supremo Tribunal Federal anula absolvição em caso de estupro de Mariana Ferrer

© Antônio Augusto/STF
© Antônio Augusto/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, nesta quinta-feira (18), a anulação do processo que resultou na absolvição do empresário André de Camargo Aranha. O réu era acusado de estupro contra a influenciadora digital Mariana Ferrer, em episódio registrado no ano de 2018, dentro de um estabelecimento comercial em Florianópolis.

Com a decisão unânime da Corte, o processo retorna à instância de origem em Santa Catarina para a realização de uma nova instrução. O magistrado e o promotor que atuaram na condução original do caso estão impedidos de participar do novo julgamento, garantindo, segundo os ministros, a imparcialidade necessária para o prosseguimento da ação penal.

Revitimização e desrespeito aos direitos fundamentais

O julgamento no STF analisou um recurso da defesa de Mariana Ferrer, que denunciou as condições degradantes a que foi submetida durante a audiência de instrução. Em 2020, vídeos da sessão ganharam repercussão nacional ao mostrarem o advogado do acusado questionando a vida sexual e a vestimenta da vítima, sem que houvesse intervenção das autoridades presentes.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, classificou o episódio como um caso claro de revitimização. Em seu voto, o magistrado afirmou que a vítima sofreu tratamento cruel e desumano, destacando a omissão do promotor e do juiz diante das ofensas proferidas durante o ato judicial.

Críticas severas dos ministros da Corte

A postura das autoridades catarinenses foi alvo de duras críticas pelos demais integrantes do colegiado. O ministro Luiz Fux questionou a aptidão do magistrado Rudson Marcos para o exercício da magistratura, enquanto a ministra Cármen Lúcia definiu a conduta observada na audiência como imoral e inconstitucional.

A ministra reforçou que o comportamento das autoridades em casos de violência sexual desencoraja denúncias e perpetua a impunidade. O presidente da Corte, Edson Fachin, formalizou a decisão que anula não apenas a audiência específica, mas todos os atos processuais subsequentes, incluindo as sentenças proferidas anteriormente pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Legado jurídico e a Lei Mari Ferrer

O impacto do caso extrapolou as fronteiras do processo judicial e influenciou o ordenamento jurídico brasileiro. Em 2021, foi sancionada a Lei Mari Ferrer, que estabelece punições rigorosas para atos que atentem contra a dignidade de vítimas e testemunhas de crimes sexuais durante audiências e julgamentos.

No âmbito administrativo, o juiz Rudson Marcos foi alvo de uma advertência aplicada pelo Conselho Nacional de Justiça no ano de 2023. O caso segue agora para uma nova fase processual, buscando assegurar que os direitos da vítima sejam preservados conforme as garantias constitucionais vigentes. Para mais informações sobre o funcionamento da Corte, consulte o portal oficial do Supremo Tribunal Federal.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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