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Desinformação no Facebook: páginas banidas mantêm lucros com monetização

AP Photo/Matt Rourke, File
AP Photo/Matt Rourke, File

Um estudo recente aponta falhas críticas na fiscalização da Meta sobre a propagação de conteúdos falsos. Páginas do Facebook, mesmo após serem sinalizadas repetidamente por verificadores de factos devido à disseminação de desinformação, continuam a auferir receitas através dos programas de monetização da plataforma.

A investigação, conduzida pelas organizações What to Fix e Raskrinkavanje, analisou mais de 290 páginas na Bósnia. O levantamento revelou que contas identificadas por difundirem inverdades em mais de dez ocasiões mantiveram acesso a fluxos financeiros, levantando sérios questionamentos sobre a eficácia das políticas de integridade da empresa.

Falhas persistentes nos mecanismos de monetização

A análise detalhou que 51 das páginas monitorizadas possuíam um histórico comprovado de participação em programas de rendimentos do Facebook. Entre estas, uma parcela significativa conseguiu integrar múltiplos canais de monetização antes da recente reestruturação do sistema da Meta, que passou a operar apenas por convite.

Surpreendentemente, nove destas contas foram convidadas pela própria empresa a aderir ao novo programa de receitas, que remunera criadores com base no desempenho do conteúdo. Este cenário contradiz o compromisso público da companhia em desmonetizar utilizadores que violam reiteradamente as normas contra a desinformação.

O ciclo de suspensão e retorno financeiro

O relatório destaca uma dinâmica preocupante na gestão de infractores reincidentes. Embora algumas contas tenham sofrido sanções iniciais, 84% conseguiram recuperar o acesso aos seus benefícios financeiros após períodos de suspensão frequentemente curtos, que em certos casos não ultrapassaram dois dias.

Mais da metade das páginas restritas retomaram as suas atividades normais em menos de um mês. Esta celeridade na recuperação do estatuto de monetização sugere que a Meta falha em manter bloqueios efetivos contra atores que utilizam a plataforma para disseminar material fabricado, teorias da conspiração ou conteúdos sem qualquer base factual.

Pressão regulatória e o papel da União Europeia

Diante dos resultados, os autores do estudo instaram as autoridades da União Europeia a investigar se a Meta está a cumprir as suas obrigações legais. O foco recai sobre a conformidade da empresa com a Lei dos Serviços Digitais (DSA) e o Código de Conduta sobre a Desinformação.

A falta de transparência da Meta sobre os seus critérios internos de punição dificulta uma auditoria externa completa. Sem dados públicos claros sobre quais contas estão a ser desmonetizadas, a responsabilidade da empresa em conter o lucro gerado pela desinformação permanece sob escrutínio constante de reguladores e organizações independentes.

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