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Ceuta à beira do colapso: líder exige ação da UE e critica Marrocos

Ceuta à beira do colapso: líder exige ação da UE e critica Marrocos
Reprodução / pt.euronews.com

O líder de Ceuta, Vivas, emitiu um alerta severo à União Europeia, declarando que o enclave espanhol está “à beira do colapso” devido a uma grave crise migratória. Durante recentes reuniões em Bruxelas com comissários europeus e eurodeputados, Vivas apelou por uma intervenção mais robusta da UE para enfrentar a situação, que envolve milhares de migrantes em situação irregular, incluindo menores não acompanhados, e para restaurar a normalidade na cidade. A urgência do pedido sublinha as crescentes tensões na única fronteira terrestre da Europa com África.

A situação em Ceuta, uma das duas cidades autónomas espanholas no norte de África, tem sido um ponto de pressão constante nas relações entre Espanha, Marrocos e a União Europeia. A gestão dos fluxos migratórios e a segurança das fronteiras externas da UE são temas centrais que Vivas levou à capital europeia, buscando soluções concretas para um desafio que considera insustentável.

O apelo de Ceuta por intervenção europeia

Vivas esteve em Bruxelas para uma série de encontros com figuras chave da União Europeia, incluindo três comissários europeus e vários eurodeputados. O principal objetivo das suas conversações foi solicitar assistência para a repatriação de migrantes em situação irregular e para a estabilização da cidade. A presença de um elevado número de nacionais de países terceiros, muitos deles menores desacompanhados, tem imposto uma pressão insustentável sobre os recursos e a infraestrutura de Ceuta.

Durante uma conferência de imprensa no Parlamento Europeu, Vivas enfatizou a necessidade de a UE adotar uma postura firme. Ele declarou que “a UE deve dizer a Marrocos que qualquer cooperação frutuosa e mutuamente benéfica começa pelo respeito das nossas fronteiras”, uma afirmação que foi recebida com aplausos por membros do Partido Popular Europeu (PPE) e seus assessores. Este posicionamento reflete a crescente frustração de Ceuta com a gestão da fronteira e as relações com o país vizinho.

Divergências com Madrid e a postura de Marrocos

O líder de Ceuta expressou um rompimento com o governo espanhol, acusando o executivo de Pedro Sánchez de uma resposta inadequada a um incidente ocorrido em julho, que resultou em mais de 150 mortes no mar. Vivas criticou a falta de responsabilização de Marrocos por parte de Madrid, mesmo após o incidente ter sido descrito como uma violação da integridade territorial espanhola. O governo espanhol, por sua vez, atribuiu a entrada em massa de migrantes a falsas mensagens em redes sociais e a redes de tráfico de seres humanos, mantendo Rabat como um “parceiro fiável” no combate à migração irregular, uma visão alinhada com a da Comissão Europeia.

Vivas questionou publicamente a recusa do governo espanhol em responsabilizar Marrocos, seja por ação direta ou por omissão, pela “invasão”. Ele mencionou um relatório policial confidencial que, segundo ele, sugere um papel das forças marroquinas na crise. Além disso, o líder de Ceuta afirmou que Rabat mantém uma “política de assédio” contínua contra a cidade, gerando um clima de receio entre os cidadãos de Ceuta de que novas ondas de chegadas de migrantes possam ocorrer a qualquer momento.

Reivindicações de Ceuta e a resposta de Bruxelas

Apesar das críticas a Marrocos, Vivas evitou pedir a suspensão dos fundos europeus destinados ao país, uma demanda levantada pelo partido espanhol de extrema-direita Vox. Atualmente, a União Europeia financia a estratégia marroquina de gestão das migrações com 160 milhões de euros, previstos até 2027. Em vez disso, o líder de Ceuta solicitou apoio financeiro direto para a construção de infraestruturas fronteiriças robustas e para a gestão da crise humanitária que se seguiu à chegada dos migrantes.

Vivas defendeu que Ceuta, juntamente com Melilha, deveria ter um “estatuto especial” dentro da UE, com regras migratórias adaptadas à sua realidade única como fronteira terrestre com África. Entre as reivindicações, está a necessidade de uma “presença permanente” em Ceuta da Agência da União Europeia para o Asilo (EUAA) e da Frontex, a agência responsável pelas fronteiras externas da UE. Embora os comissários europeus Andrius Kubilius, Magnus Brunner e Dubravka Šuica tenham manifestado apoio, a Comissão Europeia não assumiu compromissos concretos. No entanto, Bruxelas anunciou o envio de uma missão técnica a Ceuta para “avaliar a situação” in loco, conforme detalhado pela Comissão Europeia.

O futuro de Ceuta e a segurança europeia

A situação em Ceuta é apresentada como um barômetro para a segurança das fronteiras europeias. Vivas concluiu seus apelos com uma declaração enfática: “A situação é insustentável. Precisamos do apoio da UE para repor a normalidade. Se Ceuta cair, a Europa cai.” Esta afirmação ressalta a visão de que a estabilidade e a capacidade de gestão migratória de Ceuta são cruciais não apenas para a cidade, mas para a integridade e a política de migração de toda a União Europeia. A cidade, como um posto avançado da Europa, enfrenta desafios complexos que exigem uma resposta coordenada e estratégica por parte de Bruxelas.

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