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Documentos da Polícia Federal revelam contratos de R$ 208 milhões entre escritório e empresas de banqueiro

Documentos da Polícia Federal revelam contratos de R$ 208 milhões entre escritório e empresas de banqueiro
Greg Salibian/Folhapress/

Um relatório da Polícia Federal, divulgado nesta terça-feira, 1º, trouxe à tona detalhes de contratos que somam 208 milhões de reais entre o escritório de advocacia Barci de Moraes e empresas ligadas a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Os documentos fazem parte de uma investigação mais ampla sobre o Banco Master e os possíveis elos de Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A revelação dos valores e das condições desses acordos ocorreu após o ministro André Mendonça, também do STF, determinar a retirada do sigilo de Justiça sobre os relatórios da PF. Essa decisão permitiu o acesso público a informações que detalham a relação financeira entre o escritório, gerido por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e as entidades empresariais de Daniel Vorcaro.

Relatório da Polícia Federal expõe vínculos financeiros

A investigação da Polícia Federal tem como foco principal o Banco Master e as atividades de seu proprietário, Daniel Vorcaro. O relatório da PF, agora público, é um desdobramento crucial que lança luz sobre os vínculos financeiros entre as partes. A decisão de André Mendonça de levantar o sigilo foi fundamental para que esses detalhes viessem a público, permitindo maior transparência sobre o caso.

Os documentos indicam uma proximidade entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, com o banqueiro chegando a consultar o magistrado antes de uma tentativa de fuga para os Emirados Árabes Unidos, ocorrida em novembro do ano passado. Essa consulta prévia adiciona uma camada de complexidade ao cenário investigado, sugerindo uma relação que vai além dos contratos de prestação de serviços advocatícios.

A estrutura dos contratos milionários

Os contratos de prestação de serviços advocatícios, anexados ao relatório da PF, detalham a engenharia financeira dos acordos. Ao todo, foram identificados três contratos principais. Um deles foi firmado diretamente entre o escritório Barci de Moraes e o Banco Master, com um valor estabelecido em 108 milhões de reais, a serem quitados em 36 parcelas fixas de 3 milhões de reais.

Os outros dois contratos foram estabelecidos entre o escritório de advocacia e a Viking Participações, uma empresa de propriedade de Daniel Vorcaro. Cada um desses acordos foi avaliado em 50 milhões de reais. Somados, os três instrumentos contratuais totalizam os 208 milhões de reais que estão no centro das apurações da Polícia Federal.

Pagamentos em bens e a consulta ao ministro

Um dos aspectos mais notáveis dos contratos com a Viking Participações envolve a forma de pagamento. Um dos acordos previa que 40 milhões de reais seriam pagos por meio de cotas sociais de dois fundos de investimento. Esses fundos, por sua vez, são proprietários de aeronaves de alto valor.

Especificamente, um dos fundos é a Fraction 024 Administração de Bem Próprio S/A, que detém um jato Legacy 650, de prefixo PP-NLR. O outro fundo, a Fraction 053 Administração de Bem Própida S/A, estava em processo de finalização da compra de um helicóptero modelo EC 155, B1, fabricado pela Airbus Helicopters, à época da assinatura do contrato. Essa modalidade de pagamento em bens, por meio de fundos de investimento, é um dos pontos que chamam a atenção na investigação.

Participação do ministro na elaboração dos contratos

As investigações da Polícia Federal apontam para a presença de “digitais” do ministro Alexandre de Moraes nos contratos firmados entre o escritório Barci de Moraes e as empresas de Vorcaro. O próprio escritório de advocacia confirmou que o ministro foi consultado. A consulta, segundo o escritório, visava verificar a “eventual existência de impedimentos legais para a contratação”.

Apesar da confirmação da consulta, o escritório reiterou que não há, no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, nenhum caso que envolva o Banco Master ou seu proprietário, Daniel Vorcaro. Essa declaração busca esclarecer a natureza da participação do ministro, distinguindo-a de qualquer envolvimento em processos judiciais que pudessem gerar conflito de interesses. A Polícia Federal continua a analisar os documentos e as circunstâncias desses acordos para determinar todas as implicações.

Fonte: veja.abril.com.br

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