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OCDE soa o alarme: excesso de oferta agrava crise global do aço e ameaça mercados

AP Photo/Martin Meissner
AP Photo/Martin Meissner

A indústria siderúrgica mundial enfrenta um cenário de crescente instabilidade, com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) a emitir um alerta sobre o agravamento da crise. O principal fator é o excesso de oferta, impulsionado por uma produção subsidiada que distorce os mercados e coloca sob pressão os produtores em diversas economias, incluindo as da OCDE. Este desequilíbrio ameaça a rentabilidade e a sustentabilidade do setor, um pilar fundamental para múltiplos segmentos da economia global.

Apesar da fraca procura global, a capacidade siderúrgica mundial continua a expandir-se a um ritmo alarmante. Esta situação é projetada para intensificar a pressão sobre os preços e exacerbar a concorrência desleal, com implicações profundas para a segurança económica e industrial de muitos países. O aço, um material estratégico, é indispensável em setores que vão desde a construção civil e a indústria transformadora até a fabricação de veículos elétricos e a infraestrutura de centros de dados.

Subsídios estatais impulsionam desequilíbrio na crise do aço

A OCDE aponta os subsídios públicos como um dos principais motores do excesso de capacidade global na indústria do aço. Grande parte do aumento da capacidade siderúrgica nas últimas duas décadas ocorreu fora dos países-membros da organização, frequentemente com um significativo apoio estatal. Este suporte governamental cria um campo de jogo desigual, prejudicando a competitividade de empresas que operam em mercados mais abertos.

Em 2024, empresas siderúrgicas de uma economia asiática receberam subsídios que, em proporção aos seus ativos totais, foram 15 vezes superiores aos concedidos a produtores de outras regiões. Este desequilíbrio financeiro permite que esses produtores mantenham operações e expandam a capacidade, mesmo em condições de mercado desfavoráveis, exacerbando a sobreoferta.

As exportações de aço por parte dos produtores dessa mesma economia atingiram um recorde de 131 milhões de toneladas em 2025. Este volume representa um aumento de 153% em comparação com 2020 e superou a produção total de aço da União Europeia no mesmo ano. Tal volume de exportação inunda os mercados internacionais, dificultando a concorrência para outras indústrias siderúrgicas.

Projeções alarmantes: capacidade supera demanda mundial

As previsões da OCDE indicam que o excesso de capacidade siderúrgica mundial, que era de 640 milhões de toneladas em 2025, deverá subir para 745 milhões de toneladas até 2028. Este aumento substancial reflete uma tendência preocupante onde a capacidade de produção continua a crescer a um ritmo muito mais acelerado do que a procura efetiva por aço no mercado global.

Enquanto a procura global por aço é esperada para aumentar em apenas 34 milhões de toneladas entre 2026 e 2028, os produtores planeiam adicionar até 139 milhões de toneladas de nova capacidade no mesmo período. Esta disparidade entre oferta e procura é um sinal claro de um desequilíbrio insustentável que pode levar a consequências económicas severas.

Uma economia asiática está prevista para desempenhar um papel central nesta expansão, com planos de adicionar até 38,6 milhões de toneladas de capacidade de produção de aço até 2028, representando o maior aumento projetado globalmente. Se todos esses projetos de expansão forem concretizados, o excesso de capacidade mundial poderá ultrapassar em quase 320 milhões de toneladas a produção anual atual de aço de todos os países da OCDE, sublinhando a magnitude do desafio que o setor enfrenta.

Implicações estratégicas e apelo à cooperação internacional

A persistência do excesso de capacidade levanta sérias preocupações entre os responsáveis políticos. Há um receio generalizado de que esta situação possa comprometer a rentabilidade e a viabilidade a longo prazo das indústrias siderúrgicas nacionais. Consequentemente, isso aumentaria a dependência de importações de um material que é considerado estratégico para a construção, a defesa, as infraestruturas energéticas e a indústria transformadora.

Durante a reunião do Conselho Ministerial da OCDE, o secretário-geral da organização, Mathias Cormann, enfatizou a necessidade urgente de abordar as causas profundas desta crise. Ele destacou a importância de combater subsídios prejudiciais e outras práticas que distorcem o mercado. A solução, segundo Cormann, reside numa cooperação internacional mais robusta e na criação de condições equitativas para todos os participantes do mercado global. Para mais informações sobre as iniciativas da organização, visite o site oficial da OCDE.

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