A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) anunciou que abrirá uma chamada pública voltada para o mapeamento de projetos de usinas reversíveis. A iniciativa, prevista para ocorrer em novembro de 2026, tem como objetivo principal coletar dados técnicos e econômicos que fundamentem o desenho de um eventual leilão de armazenamento de energia no país.
O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla do Ministério de Minas e Energia (MME), que busca ampliar a flexibilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). A integração de tecnologias de armazenamento é vista como um passo essencial para acomodar a crescente oferta de fontes renováveis intermitentes, como a eólica e a solar, garantindo a estabilidade do fornecimento elétrico.
Estratégia do MME para a flexibilidade do sistema
O Ministério de Minas e Energia tem intensificado os esforços para integrar soluções de armazenamento ao planejamento setorial, com foco especial no Levantamento de Recursos de Capacidade (LRCAP). A intenção é que as usinas reversíveis atuem como grandes baterias naturais, consumindo energia em momentos de sobreoferta e gerando eletricidade durante os picos de demanda.
Essa abordagem visa mitigar os desafios operacionais enfrentados pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), que tem registrado um aumento significativo nos cortes de geração renovável. Ao priorizar a flexibilidade, o governo pretende reduzir a dependência de fontes térmicas de custo elevado e aumentar a eficiência do parque gerador brasileiro.
Mapeamento como base para futuros leilões
A chamada de projetos da EPE funcionará como um termômetro do mercado, permitindo que a autarquia compreenda a maturidade dos empreendimentos existentes e o interesse dos investidores. Com base nas informações coletadas, será possível desenhar modelos de leilão que sejam atrativos e tecnicamente viáveis para o setor.
A iniciativa é acompanhada de perto por agentes do setor elétrico, que buscam sinais claros sobre a regulação e a remuneração dessas tecnologias. A expectativa é que o levantamento forneça subsídios robustos para que o MME defina as próximas etapas da expansão da matriz energética nacional, conforme detalhado no portal CanalEnergia.
Desafios e perspectivas para o armazenamento
Embora o potencial das usinas reversíveis seja amplamente reconhecido, o setor ainda debate os desafios regulatórios e financeiros para a implementação em larga escala. A concorrência com outras tecnologias de armazenamento, como as baterias de íon-lítio, também compõe o cenário de incertezas que o mapeamento da EPE pretende esclarecer.
O sucesso dessa chamada pública poderá definir o ritmo dos investimentos em infraestrutura de suporte à transição energética. Com a necessidade de modernizar a rede e otimizar o uso dos recursos, o Brasil se posiciona para adotar soluções que garantam a segurança energética a longo prazo.
Fonte: canalenergia.com.br