O Ministério da Defesa da Espanha formalizou um investimento estratégico de 364 milhões de euros para a modernização das suas capacidades aéreas não tripuladas. O contrato, adjudicado à empresa Indra, prevê a entrega de 147 drones táticos do modelo Tarsis, organizados em 49 sistemas completos que serão distribuídos entre o Exército, a Armada e a Força Aérea a partir de 2028.
O programa, denominado Santam, foca-se na aquisição de aeronaves da Classe I Small, com peso máximo à descolagem inferior a 150 quilogramas. Além das plataformas aéreas, o pacote inclui estações de controlo terrestre e simuladores avançados para o treinamento das tripulações, consolidando um salto tecnológico significativo para a defesa nacional espanhola.
Configurações técnicas e versatilidade operacional
A frota será composta por duas variantes distintas para atender às necessidades específicas de cada ramo das Forças Armadas. O modelo Tarsis W, com capacidade para descolagem e aterragem convencional, será operado pelo Exército do Ar e do Espaço, enquanto o Tarsis VTOL, projetado para descolagem e aterragem vertical, equipará a Armada. O Exército de Terra utilizará ambos os modelos para maximizar a versatilidade em diferentes cenários de combate.
Com uma envergadura de seis metros e autonomia de voo de até dez horas, os drones possuem um teto operacional de 5.000 metros. A tecnologia embarcada inclui sensores eletro-ópticos, infravermelhos e radares de abertura sintética (SAR), além de sistemas de navegação resistentes a interferências eletrónicas, uma lição aprendida diretamente com o conflito na Ucrânia.
Inovação e capacidade de combate
Embora o contrato atual não inclua o armamento, o projeto prevê a futura integração de munições ligeiras no modelo Tarsis W. A Indra já avalia alternativas, como o micromíssil Fox, para conferir capacidade ofensiva às unidades. O sistema também se destaca pelo suporte a operações em modo de enxame e pela capacidade de operar em ambientes onde o sinal de GPS é negado.
O desenvolvimento do programa Santam não apenas reforça a soberania tecnológica espanhola, mas também impulsiona a economia local. Estima-se a criação de cerca de 500 postos de trabalho diretos ao longo dos quatro anos de execução do projeto, distribuídos entre a Indra e a sua vasta cadeia de fornecedores industriais.