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Relatório oficial reverte tese e aponta assassinato político de Juscelino Kubitschek

em frente à Jacaúna Móveis
Reprodução Blogdomagno

A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) está prestes a concluir que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 1976, e não vítima de um acidente automobilístico, como se acreditava oficialmente por décadas. A decisão, que ocorre a poucos meses de se completarem 50 anos da morte do político, representa uma reviravolta significativa na narrativa histórica de um dos períodos mais conturbados do Brasil.

O relatório, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso na CEMDP, tem mais de 5.000 páginas e está em fase de análise pelos conselheiros do colegiado. A expectativa é de que o documento seja aprovado na próxima reunião do grupo, conferindo um novo status à morte de Kubitschek e de seu motorista, Geraldo Ribeiro, que também faleceu no incidente.

A Reabertura do Caso Juscelino Kubitschek

A reabertura do caso da morte de Juscelino pela CEMDP, um órgão de Estado instituído em 1995 com apoio do Ministério dos Direitos Humanos, reacende um debate que mobiliza versões e correntes políticas desde 22 de agosto de 1976. A finalidade da comissão é reconhecer vítimas de perseguição política entre 1961 e 1988, buscando a verdade histórica e a retificação de registros.

A decisão de reexaminar o caso foi revelada no ano passado, mantendo acesa a controvérsia sobre as circunstâncias da morte do ex-presidente. A aprovação do relatório pela CEMDP é vista como um passo crucial para o esclarecimento da verdade, mesmo que não resulte em indenização financeira para a família de Kubitschek, devido ao prazo legal já expirado para tais requerimentos.

Investigações Anteriores e Controvérsias

No domingo fatídico de 1976, o Opala em que Juscelino Kubitschek viajava, conduzido por Geraldo Ribeiro, foi atingido por uma carreta na Via Dutra. O veículo desgovernou-se, atravessou o canteiro central e colidiu na pista oposta, resultando na morte de ambos os ocupantes.

As investigações conduzidas pela ditadura à época, e posteriormente confirmadas por uma comissão externa da Câmara dos Deputados em 2001 e pela Comissão Nacional da Verdade em 2014, concluíram que o Opala foi atingido por um ônibus da viação Cometa antes de se desgovernar, classificando o evento como um acidente.

No entanto, outras apurações, incluindo as das Comissões Estaduais da Verdade de São Paulo e Minas Gerais, e da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, levantaram a hipótese de atentado político. Essas investigações apontaram indícios de que não houve colisão com o ônibus e que o carro pode ter se desgovernado por ação externa, como sabotagem mecânica, um tiro ou envenenamento do motorista.

A Análise Técnica que Descartou o Acidente

O relatório da CEMDP se baseia, em grande parte, em um inquérito civil conduzido pelo Ministério Público Federal (MPF) entre 2013 e 2019, e divulgado em 2021. Considerado a investigação mais completa sobre o tema, o inquérito do MPF descartou a colisão entre o ônibus e o Opala, embora tenha concluído ser impossível afirmar ou descartar a hipótese de atentado por falta de elementos materiais suficientes.

O procurador da República Paulo Sérgio Ferreira Filho destacou as

Fonte: blogdomagno.com.br

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