A subvenção concedida pelo governo federal ao diesel comercializado pela Petrobras atingiu uma marca expressiva no segundo trimestre deste ano. De acordo com o balanço financeiro da estatal, o montante de R$ 9,7 bilhões em subsídios corresponde a 25,4% da receita total obtida pela companhia com a venda desse combustível no mercado interno, que somou R$ 38,2 bilhões no período.
O cenário reflete a política de contenção de preços adotada pelo governo, que busca mitigar os impactos das variações internacionais nos custos dos combustíveis para o consumidor final. A Petrobras projeta receber um total de R$ 11,3 bilhões em subvenções referentes à produção e importação de diesel, gasolina e GLP durante o primeiro semestre, abrangendo o período de março a junho.
Impacto da subvenção no diesel e derivados
O diesel permanece como o principal foco da estratégia governamental, concentrando 92% do valor total esperado pela estatal, o equivalente a R$ 10,4 bilhões. Em contrapartida, os subsídios destinados à gasolina e ao GLP possuem valores menores, totalizando R$ 816 milhões e R$ 84 milhões, respectivamente.
Ao analisar o conjunto das vendas de derivados de petróleo realizadas pela empresa no país nos primeiros seis meses do ano, a subvenção representa 7% das receitas totais. Quando o recorte é feito exclusivamente sobre o segundo trimestre, o impacto é mais acentuado, elevando a participação do subsídio para 11,8% sobre uma receita de R$ 89,5 bilhões.
Divergências contábeis e fluxo de caixa
Existe um descompasso entre os números reportados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e os dados apresentados no balanço da Petrobras. Enquanto a agência reguladora aponta um custo efetivo de R$ 7,03 bilhões para todo o setor até julho, a estatal projeta valores futuros baseados em sua operação contínua.
Essa diferença ocorre devido à natureza retroativa do programa, que contempla períodos quinzenais, e à lógica contábil da companhia. O relatório financeiro da estatal destaca que o fluxo de caixa operacional foi impactado negativamente em R$ 15,8 bilhões, resultado do aumento das contas a receber vinculadas ao programa de subvenção e da gestão do capital de giro.
Dinâmica atual dos subsídios governamentais
O programa de auxílio passou por ajustes recentes para se adequar às oscilações do mercado. Atualmente, o governo mantém um subsídio de R$ 1,12 por litro de diesel, valor que já atingiu o patamar de R$ 1,47 por litro em momentos anteriores. Para a gasolina, o benefício está fixado em R$ 0,44 por litro.
No caso do GLP, o incentivo é calculado em R$ 850 por tonelada, o que representa um impacto de R$ 11,05 por botijão de 13 kg. A expectativa é que parte relevante dos valores referentes ao segundo trimestre seja liquidada apenas no terceiro trimestre, entre julho e setembro, conforme informações da Agência iNFRA.
Fonte: agenciainfra.com