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Eneva mira leilão de baterias, mas CEO alerta para planejamento ainda ‘prematuro’

tunidades”, disse nesta quarta-feira (17) a jornalistas durante o Enase (Encontr
Reprodução Agenciainfra

A Eneva, uma das principais empresas de energia do Brasil, confirmou seu interesse em participar do próximo leilão de baterias, um segmento emergente e estratégico para a flexibilidade do sistema elétrico nacional. No entanto, o CEO da companhia, Lino Cançado, expressou ressalvas significativas, indicando que o planejamento atual do setor pode ser “prematuro” para uma contratação de grande escala desses sistemas de armazenamento de energia.

A declaração foi feita a jornalistas durante o Encontro Nacional dos Agentes do Setor Elétrico (Enase), onde Cançado detalhou a visão da Eneva sobre as oportunidades e os desafios inerentes à expansão da infraestrutura de armazenamento. A empresa vê as baterias como um componente vital para a modernização da rede, mas enfatiza a necessidade de um arcabouço regulatório e de mercado mais robusto para viabilizar investimentos de maior porte.

Eneva e o potencial das baterias no setor elétrico

Lino Cançado reiterou o compromisso da Eneva em explorar todas as oportunidades de investimento que se alinhem com sua estratégia de geração de energia. Embora as baterias não sejam tradicionalmente classificadas como geração, elas desempenham um papel crucial na acumulação de energia, conferindo maior flexibilidade a um sistema do qual a Eneva é parte integrante. A empresa considera esses ativos como oportunidades promissoras para otimizar a operação e a confiabilidade da rede.

A Eneva tem mantido diálogos com diversos fornecedores de tecnologia e está em processo de avaliação de ofertas para determinar as soluções mais adequadas e os locais estratégicos para a instalação desses sistemas. A escolha da tecnologia e a localização são fatores determinantes para a eficiência e o valor agregado que as baterias podem oferecer ao sistema elétrico.

A busca por sinais de preço para instalações independentes

Em linha com a perspectiva de outros executivos do setor, Cançado defendeu a implementação de sinais de preço que operem fora dos limites atualmente impostos pelo Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Essa medida, segundo ele, seria essencial para estimular a instalação unilateral de sistemas de baterias, especialmente quando associados a projetos de geração existentes.

O CEO da Eneva argumentou que, se houvesse uma variação de preço mais livre, sem os atuais limites mínimos e máximos do PLD, os agentes de mercado poderiam se beneficiar significativamente das flutuações de preço. Isso reduziria a dependência de receitas fixas para remunerar os investimentos em baterias, um modelo que predomina no desenho atual dos leilões. Com um “spread” (diferencial) de preço suficientemente alto, agentes que sofrem com o “curtailment” (restrição de geração) teriam incentivo para armazenar o excesso de energia e injetá-lo no sistema em momentos de maior necessidade e atratividade financeira. No entanto, o cenário atual do PLD no Brasil não justifica tal abordagem.

Desafios e o cenário ‘prematuro’ para contratação em escala

Apesar do interesse, Cançado levantou dúvidas importantes sobre os termos do leilão, que, em sua avaliação, tornam o cenário “prematuro” para uma contratação centralizada de baterias em larga escala. O mercado projeta uma demanda considerável, estimada entre 2 GW e 5 GW de capacidade de armazenamento, mas a forma como essa demanda será atendida é crucial.

Um dos pontos de preocupação é a valoração diferenciada das baterias em função de sua localização. A portaria atual prevê uma diferença de apenas 10%, o que, para Cançado, é insuficiente. Ele destacou que a contribuição de uma solução de armazenamento para o sistema pode variar drasticamente dependendo de onde ela é instalada. Em certas localidades, a bateria pode não agregar valor significativo, enquanto em outras, seu impacto seria transformador. Por essa razão, o CEO sugeriu que o Brasil ainda não está totalmente preparado para uma contratação massiva. Uma abordagem inicial, com contratações menores, permitiria ao setor entender melhor a dinâmica e complementar estudos para identificar os locais onde as baterias realmente maximizam seu benefício ao sistema elétrico. Para mais informações sobre o setor elétrico brasileiro, visite a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Fonte: agenciainfra.com

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